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Nádia Carmo
Tutora

entrevista

Nádia Carmo
Tutora

Prever qual poderá ser a experiência de utilizador e o modo como poderá ser potencializado é o principal desafio” para quem trabalha nesta área do digital, na opinião de Nádia Carmo.

A Lead Designer de Produto na EYESO conta-nos nesta entrevista o seu percurso e opinião sobre o mercado de trabalho, a profissão, e como é ser tutora do programa Digital Design na EDIT. Lisboa

A EDIT. é uma escola muito descontraída e cheia de potencial, que corresponde bem com a minha forma de estar. Para além disso, tenho liberdade de desenvolver aulas um pouco diferentes, pois normalmente, aposto muito nos exercícios como veículo de experiência e de aquisição de conhecimento"

E.

Sempre estiveste ligada às artes e Design. Como surgiu o gosto por esta área? E pelo UX design? Fala-nos um pouco o teu percurso.

N

Sim, sempre tive tendência para artes. Em criança desenhava muito. Lembro-me da minha professora do 6º ano, que na última semana de aulas esteve a falar particularmente com cada aluno, dando palavras de apoio e conselhos, pois iríamos sair daquela escola. A minha conversa foi relativamente curta, pois ela disse-me que não havia dúvidas e que quando terminasse o 9º para me inscrever na António Arroio. Por alguma razão aquilo ficou gravado na memória e assim o fiz. E fez toda a diferença. É a minha escola do coração (e já estive em imensas). O gosto pelo Design Digital surgiu apenas a meio da faculdade. Entrei em Belas Artes em Lisboa, em Pintura, mas depois no 3º ano pedi a transferência para as Caldas da Rainha para Design Multimédia, muito mais fascinante.

O UX veio a surgir das necessidades projetuais das rotinas inerentes aos processo de trabalho das agências. A necessidade levou-me a procurar mais sobre o assunto.

E.

Tens definida uma rotina de trabalho? Ou cada dia é diferente?

N

A rotina varia conforme o projeto, bem como em que fase se encontra o mesmo. Mediante isso, os dias podem ser bem idênticos. Por exemplo, numa fase de kick-off do projeto, trabalho mais com as equipas de gestão do projeto. Numa fase avançada, interajo mais com as equipas de desenvolvimento.

E.

Consideras que a experiência do utilizador é crucial nos projetos digitais hoje em dia? Qual é, na tua perspetiva, o ponto da situação desta área em Portugal?

N

Sim, sem dúvida! Prever qual poderá ser a experiência de utilizador e o modo como poderá ser potencializado é o principal desafio. Porém, em Portugal o processo é dificilmente implementado, pois a maioria dos clientes tem pressa em aprovar o grafismo, quer ter a certeza que irá pagar por algo “bonito” ao invés de algo que também “funciona”. Em design, as duas componentes não podem estar desassociadas, uma vez que o papel do design é resolver problemas quer seja de ordem ergonómica ou de interação/usabilidade. A estética ou o visual poderá estar relacionado com a função ou com o conteúdo, mediante o estudo que se fez, quer seja de usabilidade, ou estratégico, ou de dados, etc.

E.

E na tua perspetiva, quais serão as maiores tendências na área do UX?

N

Daquilo que tenho vindo a acompanhar, penso que os interfaces invisíveis serão o próximo desafio. O reconhecimento da voz e gestual (mãos e rosto) por estarem tão sincronizados e integrados com os utilizadores irão permitir uma análise do utilizador mais orgânica, ergonómica e mais perto da interação real.

Num futuro mais imediato diria que vamos ter uma nova fase nos smartphones. Estes estão cada vez mais presentes, tantos nos países desenvolvidos bem como em países em conflito ou menos desenvolvidos. São dispositivos muito pessoais, intransmissíveis, mais próximos do utilizador e com maior potencialidade em integrar com outras tecnologias, nomeadamente o espaço urbano, o espaço doméstico, desportivo, social, etc.

E.

Que recursos recomendarias para quem se quer manter atualizado neste campo?

N

Eu gosto particularmente do siteinspire.com para ver referências em websites. Gosto do designspiration.net pois consegue-se ter uma boa base de imagens de projetos de acordo com o tema que se escolhe. E gosto imenso de uma extensão que utilizo no chrome que se chama muz.li/. É uma espécie de feed RSS para designers (e não só).

E.

Que características consideras que deve ter um bom profissional neste campo? E quais os maiores desafios que enfrentam aqueles que pretendem ingressar neste mercado?

N

Assim como em outras áreas é importante gostar e interessar-se por este tipo de processos de análise e organização. A disciplina de UX deverá ser composta por equipas multidisciplinares que integram um investigador, um analista, um designer e um developer. Porém este tipo de estrutura não existe cá em Portugal; equipas especializadas é coisa rara nas empresas e agências portuguesas, principalmente em disciplinas “recentes” como UX. O maior desafio é conseguir demonstrar aos clientes que deverão apostar nesta fase inicial do projeto para se conseguir melhores resultados, quer na fluidez da interação com na eficácia do próprio produto. Na verdade, quanto mais expectativas correspondidas, menos frustrações, logo mais permanência (na app/site/ferramenta), logo mais métricas cumpridas (vendas, visitas/visualizações, clicks, etc).

Para quem está a começar, diria que leiam e estudem continuamente. É importante estar sempre atualizado. O mundo do digital renova-se com alguma velocidade, embora os utilizadores por vezes demorem a adaptar-se a novos padrões de usabilidade. Há alguns livros de referência que devem ser lidos e revisitados, bem como alguns blogs carregados de conteúdos.

E.

Como é ser tutora na EDIT.? De que modo gostas de lecionar os conteúdos e transmitir a tua experiência?

N

Genericamente eu gosto de dar aulas. Já dei aulas noutros paradigmas e noutros formatos, mas aqui na EDIT permite-me conciliar este pequeno gosto com o meu trabalho diário de designer. A EDIT. é uma escola muito descontraída e cheia de potencial, que corresponde bem com a minha forma de estar. Para além disso, tenho liberdade de desenvolver aulas um pouco diferentes, pois normalmente, aposto muito nos exercícios como veículo de experiência e de aquisição de conhecimento, e dado que cada aula são quatro horas e pós-laborais, acredito ser a forma mais eficiente de manter os alunos motivados.