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Samuel Traquina
Tutor

entrevista

Samuel Traquina
Tutor

Samuel Traquina diz-nos que a criatividade também é um fator importante para os Front-end Developers, pois “a maior parte das soluções realmente inovadoras envolvem uma boa dose” desta.

O Front-end Developer na Clever Advertising e tutor do programa Front-end Development na EDIT. Porto, aborda nesta entrevista a profissão, a formação e skills, e alguns recursos de estudo e atualização importantes da área.

A maior parte das soluções realmente inovadoras envolvem uma boa dose criatividade, nem que seja apenas na forma como se implementam os layouts.

E.

Porquê a área das Novas Tecnologias da Comunicação? Fala-nos um pouco sobre o teu percurso académico e profissional.

S

A área das Novas Tecnologias da Comunicação surge no seguimento da minha formação anterior, na área do áudio. Pretendia, acima de tudo, expandir os meus conhecimentos para outras áreas das tecnologias da comunicação, aliando as mesmas ao áudio. Durante o curso superior tive a felicidade de ter grupos de trabalho que não só potenciaram o desenvolvimento das competências que já tinha adquirido anteriormente, mas também me levaram a descobrir e apreciar todas as restantes tecnologias que fomos aprendendo. Após esta passagem por Aveiro desloquei-me para o Porto, onde tenho colaborado com várias agências e com uma empresa de tecnologia de identificação e rastreabilidade, sempre como fullstack developer. Neste momento encontro-me a trabalhar na Clever Advertising como frontend developer e tenho o prazer de gravar conversas e falar com gentes criativas no Mudo Podcast, do qual sou co-fundador.

E.

Como é o teu dia a dia de trabalho?

S

Bom, o meu dia de trabalho inclui, acima de tudo, doses cavalares de cafeína. Geralmente reúno-me com a equipa de trabalho ao café, recolhendo as necessidades e tarefas diárias. O resto do dia resume-se a mais café, muito HTML, CSS – sempre com pré-processadores, que adoro – e algum JS. Ao princípio e final da manhã e da tarde leio e respondo a emails. Enquanto a maior parte dos frontend developers provavelmente dariam por terminado o seu dia, depois disto, ocasionalmente, ainda tenho episódios do Podcast para gravar e/ou editar e trabalho para alguns clientes que recorrem aos meus serviços de development fullstack em regime de freelance. Tendo todas estas tarefas fechadas, passeia-se o canídeo do agregado familiar e não me escapa um qualquer episódio de netflix, um videojogo ou um café com amigos, para fazer aquela descompressãozinha.

E.

Qual consideras ser o aspeto mais desafiante para um Front-end Developer?

S

O aspeto mais desafiante é suportar a “carga” a que é sujeito de ambos os lados da barricada que o rodeia, ou seja, estabelecer uma boa ponte de comunicação entre os backend developers e a equipa de UI/UX, garantindo que se consegue ter um resultado simultaneamente funcional, esteticamente apelativo e, acima de tudo, de elevada usabilidade.

E.

A criatividade também é necessária para programar? A música tem, para ti, alguma influência neste campo?

S

Sem dúvida. A maior parte das soluções realmente inovadoras envolvem uma boa dose criatividade, nem que seja apenas na forma como se implementam os layouts. Alguns destes apresentam desafios que puxam pela nossa veia criativa, levando o frontend developer a superar-se constantemente. Por muito que, na maior parte dos casos, haja algum exemplo que possa ser seguido (livrem-se de reutilizar exemplos sem os compreender de antemão), há outros casos tantos que implicam que se planeie, de forma criativa, a abordagem a tomar. Embora gostasse de ter uma resposta mais romântica para a questão musical, infelizmente, no que concerne à programação esta só me auxilia no sentido de ignorar o que se passa ao meu redor, impedindo a divagação e a procrastinação, levando-me àquela que é, normalmente, chamada “the zone”. Não quero dizer com isto que ignore os restantes membros da equipa, aliás, a comunicação é fundamental, mas, às vezes, há casos que necessitam de uma implementação bastante complexa em que uma desatenção de cinco minutos leva a uma perda de tempo útil que ultrapassa largamente esses mesmos cinco minutos. Nestas situações, a música atribui contexto à minha própria “zone”.

E.

Porque devem as empresas apostar em profissionais qualificados na área? Na tua perspetiva, como está o mercado de trabalho em Portugal?

S

No que me diz respeito, o frontend developer qualificado é essencial. Os cursos superiores, embora bastante completos, infelizmente ignoram ou deixam um pouco de parte o frontend development. Se, por um lado, os cursos de design não querem sequer tocar no código, por outro, os cursos de engenharia querem mexer no código, sim, mas naquele que comunique, de uma forma mais profunda, com a máquina. Isto faz com que o frontend acabe por ser um terreno estranho tanto aos designers como a grande parte dos developers. O mercado de trabalho, na área do frontend, parece-me, de momento, de muito boa saúde, sobretudo devido à lacuna supracitada. Temos muitos designers, temos alguns backend ou fullstack developers, mas precisamos urgentemente de mais frontend developers. Com a recente ascensão das frameworks de Javascript e constante evolução dos standards, assim como do suporte por parte dos browsers, de CSS e HTML, torna-se imperativo formar profissionais que dêem resposta a esta rápida evolução.

E.

Podes destacar alguns projetos/websites que tenhas como referência?

S

Para ser muito sincero, não consigo dar exemplos concretos de referências a este nível, até porque, tendo em conta o fator que referi anteriormente – da rápida evolução do setor – aliado a prémios diários como o awwwards ou os css design awards, qualquer referência que eu enalteça agora pode ser suplantada já amanhã. Como regra geral, sou fã incondicional de qualquer projeto que junte vários meios, ou seja, uma boa utilização de vídeo, um player de áudio inovador ou o bom uso de 3D (atente-se no termo “bom uso” e não apenas “uso”) dão-me muita satisfação. Outra coisa que, do meu ponto de vista, também faz sempre a diferença, é uma interação “engaging”. Não necessariamente divertida, não obrigatoriamente inovadora, mas, acima de tudo, muito apelativa.

E.

Partilha connosco alguns recursos ou plataformas úteis para quem quer aprender mais um pouco sobre Front-end.

S

Para o autodidata que tenha paciência para explorar, o codepen.io e o tympanus.net são ótimas fontes de inspiração que contêm, logo à partida, muito código funcional. Volto a mencionar que utilizar código de outrém sem o compreender de antemão não é uma boa prática. Para além disto, há aqueles links que se deve ter sempre à mão independentemente do nível de experiência, nomeadamente o w3schools.com e o css-tricks.com.

E.

De que forma pretendes lecionar as tuas aulas no programa Front-end Development?

S

As aulas serão lecionadas de uma forma teorico-prática, abordando, de forma integrada, a teoria apoiada de exercícios e exemplos práticos. Irão expor-se conceitos e técnicas de implementação de HTML e CSS (sobretudo, mas não exclusivamente), irão analisar-se e debater-se exemplos das práticas mais comuns, e irão, ainda, desenvolver-se exercícios apoiados pelas técnicas recolhidas nos conceitos, técnicas e exemplos supracitados.

E.

Na tua opinião, quem deseja ir para área de desenvolvimento, que hard e soft skills deve ter, e que passos deve tomar com vista à evolução profissional?

S

Do meu ponto de vista os hard skills mais relevantes prendem-se com o à vontade com as linguagens utilizadas, a capacidade de interpretar layouts, e o olho crítico ao seu próprio trabalho. De soft skills realço, acima de tudo, a capacidade de comunicação. Há de haver situações como um breakpoint que o designer não definiu, ou um determinado conjunto de dados de que o backend developer não devolveu e a nossa função implica comunicarmos, da melhor forma, com estes elementos da equipa, de forma a produzir o melhor resultado final possível, em conjunto.