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João Lima
Tutor

entrevista

João Lima
Tutor

João Lima é Ux Designer na Critical TechWorks - BMW Group e tutor da EDIT. Em entrevista, conta-nos o seu percurso, quais são as principais funções e desafios de um UX Designer e ainda qual a importância de um UX Designer nas marcas/empresas, e porque se deve apostar em profissionais especializados.

Ser UX é ser curioso. Ser UX é ser resiliente e investigador, ser UX é ser o defensor
dos “meus” Utilizadores, é escrever Utilizador com “U” maiúsculo.

E.

Conta-nos o teu percurso académico e o que te motivou a escolher a área de UX?
Quais foram as tuas experiências profissionais?

J

O meu background académico tem por base uma licenciatura em Multimédia, um
mestrado em Design e atualmente formação contínua/self-learning com investigação.
A licenciatura em Multimédia permite que tenha presente alguns conhecimentos
generalizados de programação e desenvolvimento. Não, não é necessário saber
programar para ser um UX Designer. Contudo, conhecer a realidade de quem nos
permite tornar o nosso trabalho diário possível é imprescindível, na minha opinião.
Desde a licenciatura que trabalho na área Digital. Nunca trabalhei profissionalmente o
offline ou o Gráfico. Durante o mestrado em Design, senti que somos constantemente
formatados para Design Gráfico, quer seja no exercício prático e/ou teórico. Sempre
foi um plano pedagógico com o qual nunca concordei a 100%. Enveredar desde logo
para a área digital sem ter de passar pelo gráfico foi, na minha perspectiva, uma vantagem/vitória para o meu percurso profissional.
A minha experiência profissional resume-se a duas grandes fases. A primeira, de certa
forma mais exploratória, na qual trabalhei em empresas de IT e em agências de
publicidade. Desenvolvi imensos e variados trabalhos digitais. Muitos websites e aplicações móveis, mas também algumas instalações digitais e de interação.
Desde sempre, em todos estes trabalhos e cargos, estive envolvido e contactei diretamente com todos os clientes/Utilizadores. Consequentemente percebi que o meu
encanto era, sem dúvida, trabalhar a complexidade de negócio e fazer com que o utilizador final interagisse com um sistema sem atrito, naturalmente e de forma transparente. Segue-se então aquela que designo como a segunda fase da minha experiência profissional, fase em que me situo atualmente. Fase na qual o grande objetivo é vincar a minha proficiência nas tarefas que mais gosto e sei fazer.
Atualmente dedico-me a um projeto apaixonante na Critical Techworks a desenvolver software para a BMW.

E.

Quais são as principais funções de um UX Designer? E quais os maiores
desafios/responsabilidades?

J

Ser UX é ser curioso. Ser UX é ser resiliente e investigador, ser UX é ser o defensor
dos “meus” Utilizadores, é escrever Utilizador com “U” maiúsculo. Primeiramente, ser
User Experience Designer é compreender que a essência da User Experience engloba
um conjunto de matérias e domínios muito abrangentes e distintos. Tendo isso em
consideração, de forma resumida, diria que uma das principais funções de um UX Designer é a mediação entre a complexidade do negócio e a capacidade tecnológica
para que o nosso Utilizador possa interagir com um produto sem ter de lidar, quer com
a complexidade do negócio, quer com a fricção na interação para com um produto
interativo. E aqui surge o maior desafio, a maior responsabilidade: tornarmo-nos
experts com os peritos, sejam Utilizadores e/ou Stakeholders, acerca de uma matéria num curto espaço de tempo, descomplexificar e usar ou criar padrões de interação que sejam naturais e simples para o uso recorrente por quem trabalha com a interface
que vamos produzir.

E.

Conta-nos qual a importância de um UX Designer nas marcas/empresas, e porque
devem apostar em profissionais especializados na mesma?

 

J

Há diversos estudos que sustentam esta importância, por exemplo, segundo a Uxeria, 37,70% dos grandes negócios digitais falham devido à má usabilidade. Há milhões de produtos digitais, se considerarmos que um produto digital pode ter (apenas) dezenas
de Utilizadores estamos a falar de milhares de milhões de Utilizadores afetados devido a algo que nitidamente é um dever de quem produz o respetivo produto digital,
trabalhar a usabilidade.
Um outro estudo da The American Genius salienta que cada 0,90€ investidos por uma empresa em UX tem um retorno entre 1,80€ e 90€. Na melhor das hipóteses estamos
a falar de um aumento de valor de 9900%, um número que me parece que deve ser obrigatoriamente considerado, analisado por marcas e empresas.
Compete-nos a nós, profissionais da área, trabalhar da forma mais eficiente possível
para preconizar, educar, demonstrar e comprovar a grande mais valia de apostar nos nossos processos.

E.

Na tua opinião, que skills e know-how devem ter estes profissionais para serem bem
sucedidos? A formação contínua é imprescindível?

J

Considero que a formação contínua é imprescindível, sim. As skills para ser bem
sucedido nesta área são muito polivalentes, amplas e diversificadas. A maior parte das vezes é necessário ter em conta os requisitos do projeto em que estamos a trabalhar
no momento, como procedimentos, lógica de negócio, regras e legislação inerente,
conhecimento global da área, entre outros. Podemos ter uma boa base de cultura generalizada mas muitos dos desafios requerem um estudo pormenorizado e
específico que varia de desafio para desafio. Só teremos Utilizadores confidentes se estes mesmos considerarem que podem falar connosco no “mesmo idioma”. Por isso,
na minha opinião, e é um dos conselhos que dou aos meus alunos, as principais características que um UX designer deve ter são a curiosidade para alcançar a matéria e o desafio com a profundidade necessária, a persistência, a dedicação, a capacidade criativa de explorar novas ideias e a maturidade para dar passos atrás no processo sempre que necessário, sem ficar muito agarrado ao trabalho desenvolvido. Porque muitas vezes, o processo iterativo obriga-nos a ter esta capacidade de largar ideias, experiências e algumas suposições tomadas até então.

E.

Na tua perspetivas, quais serão as tendências de UX&UI design, num curto-médio
prazo?

J

Ao longo dos últimos 10 anos a palavra “User Experience” tem ganho um cariz muito especial no mundo do Design e em particular no mundo do Design Digital. Mas na verdade o termo vizinho, a usabilidade, está presente desde os primórdios da interação entre Humano e Máquinas, sejam físicas, sejam digitais. A busca da perfeição da Interação Homem-Máquina vai continuar obviamente. O nosso papel como profissionais habilitados para tornar esta experiência mais significativa e equilibrada emocionalmente continuará a ter desafios inerentes ao desenvolvimento
tecnológico. Interfaces do futuro, como muitos lhes chamam, invisíveis, por voz, e emergentes por triggers preparados e estudados que as tornam interventivas quando
estas são mais convenientes são algumas das tendências que prevejo a curto-médio prazo.

E.

Utilizas algum tipo de recursos/plataformas para te manteres atualizado e a par das
novidades da área?

J

Recorro essencialmente a livros, artigos científicos e a nível de plataformas digitais, os
conhecidos e recomendados portais: Nielson Norman Group, o User Experience Stack
Exchange, entre outros.

E.

Tens alguma meta profissional que gostasses de atingir?

J

De momento estou focado em demarcar a minha proficiência em tudo o que participo.
Quero continuar a contribuir para a comunidade através do meu blog, o uiux.pt, quero continuar dar formação, ajudar novos colegas de profissão a evoluir e inerentemente
evoluir com eles. Continuar a investigar, mais e mais. Para mim, a progressão na
carreira de um UX prende-se com o descomplexificar de desafios cada vez maiores,
que certamente irão surgir num futuro próximo, ao nível da interação e da usabilidade
inerente à relação entre o homem e a tecnologia.

E.

Para concluir, quais são as tuas expectativas enquanto tutor no curso da EDIT. Porto,
User Experience Advanced Course? De que forma pretendes lecionar as tuas aulas e transmitir a matéria e know-how?

J

O grande foco da concepção deste curso foi a inovação e a exigência. Exigir o próximo passo do ensino sobre User Experience, Usabilidade, Interação Homem-Máquina,
entre outras temáticas. Um curso bastante multidisciplinar onde todos os alunos serão
intervenientes como fontes de experiência. Partilhar desafios, objetivos e encontrar
soluções enquanto equipa e investigadores da respectiva matéria. Quando me perguntam “o que vais ensinar?” é sempre complexo explicar tópico por tópico. Até
porque ensinar é uma palavra complexa com diversos sinônimos. Identifico-me com
algumas expressões que enriquecem a sua conotação: “Preparar para determinada tarefa, ação ou prática”; “Transmitir experiência”; “Dar a conhecer”. E estas três
diretrizes serão certamente praticadas no curso sob minha tutoria. Abrir horizontes de forma a tornarmos a preparação, troca de experiências e o conhecimento alcançável
para todos. Já diz assim o ditado “ensinar a pescar é melhor que dar o peixe”.
Aceitam o desafio? 🙂