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Hugo Froes
Tutor

entrevista

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Hugo Froes
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Hugo Froes desempenha atualmente o cargo de Head of Digital Creativity no El Corte Ingles e é tutor da EDIT. - Disruptive Digital Education.

Conheça, nesta entrevista, um pouco melhor o percurso profissional de Hugo e, ainda, alguns conselhos para quem trabalha na área de User Experience Design.

Diria que o mais desafiante é criar a melhor experiência para o utilizador mas que se converte bem em vendas.

E.

O que te motivou a especializar na área de UI/UX Design?

H

Para mim, foi uma evolução natural. Sempre gostei de resolver problemas e com o passar dos anos os produtos que criava eram cada vez mais influenciados pelas necessidades do utilizador e pela forma como este interagia com esses produtos.

E.

Como se desenrola o teu dia a dia?

H

Cada dia é diferente, mas uma semana habitual começa com uma reunião de marketing para definição dos projetos e promoções dessa semana.

De seguida reúno com a equipa para efetuar a planificação. Esta planificação é dinâmica acontecendo vários mini updates durante a semana conforme as “surpresas” ou o volume de trabalho. Tentamos evitar a acumulação de problemas para o final da semana.

O desenrolar do resto da semana oscila entre a execução do trabalho necessário para essa semana, as reuniões de estratégia e desenvolvimento, com os responsáveis das áreas e com agências externas, sobre o desenvolvimento de novas soluções.

E.

Qual é o maior desafio de trabalhar numa empresa como o El Corte Inglês?

H

Penso que seja o mesmo como qualquer grande empresa, que tem sede noutro país e que existe há muito tempo.

Há um tradicionalismo implementado que são os fundamentos da marca, mas que por vezes podem complicar novos desenvolvimentos, por serem pensados antes da era digital. Sistemas antigos também podem criar problemas técnicos que prolongam novas implementações ou que criam entropia. As marcas entendem a necessidade de acompanhar os desenvolvimentos, mas nem todas as áreas dentro de empresa conseguem entender como.

E.

Consideras que o User Experience Design pode determinar a qualidade de um projeto?

H

Sem dúvida! O User Experience Designer tem de ter uma noção bastante global do projecto e por isso muitas vezes consegue entender um problema numa área que pode afetar outra. O UX Designer também tem a tarefa importante de pensar nas necessidades do utilizador. Isto quer dizer que bem feito, já estamos um passo à frente. Afinal estamos a apresentar a melhor solução para o utilizador final e não apenas a pensar no que o negócio acha que seja melhor.

E.

Qual é o maior desafio ao nível do User Experience Design numa plataforma de e-commerce?

H

É uma boa pergunta. Diria que o mais desafiante é criar a melhor experiência para o utilizador mas que se converte bem em vendas.

Embora seja uma reposta muito simplificada, na verdade é bastante mais complexo. Pensar que inundar o cliente com promoções e organizar as categorias logicamente é única maneira de conseguir estas conversões é errado.

Algumas vezes podem ser coisas pequenas com a mudança de uma cor ou a posição de um botão que podem disparar as vendas. Outras vezes são mudanças que o utilizador nem vê, feitas na programação ou nas configurações mas que permitem melhorar o performance. É um trabalho constante com muitas nuances e pormenores e que não se resume apenas à promoção.

E.

Indica-nos uma ou duas plataformas que, na tua opinião se destacam ao nível do design de experiência.

H

Penso que há dois exemplos que têm vindo a criar algum impacto nos últimos tempos:

-Medium: Esta plataforma para publicação de artigos ou opiniões é simples e direto e faz precisamente o que pretende fazer, disponibilizar uma plataforma de publicação simplificada e direta apenas com as funcionalidades necessárias para o fazer.

– Slack: O que começou com uma ferramenta de conversação simples entre equipas rapidamente se tornou numa ferramenta imprescindível de comunicação. Com as suas várias integrações, as possibilidades vão muito além da mera comunicação. Esta ferramenta também permite a possibilidade de criar algumas comunidades como o DesignerHangout.co

 

Uma chamada extra para os webapps Tweetdeck e Buffer

E.

Se pudesses reformular o design de experiência de uma plataforma, qual/quais escolherias?

H

O Portal das Finanças…

Penso que em geral podíamos aprender alguma coisa com o trabalho feito pelo Reino Unido neste campo. Considero que se podia melhorar muito estes serviços com um bom trabalho de UX Design.

Muitas vezes existe uma grande preocupação apenas com os aspectos técnicos (que também são essenciais) e por vezes esquece-se que são pessoas fora desse sector que irão usar essas plataformas.

E.

Qual é o maior erro que achas que se comete, atualmente, nessa área?

H

O maior erro é não entender o que é UX design e usá-lo. Muitas vezes confunde-se UX com UI, Frontend Development ou até Backend Development.

UX Design é um complemento a todas estas áreas mas um UX designer não precisa de saber escrever código. Há muitos UX Designers que até vêm da área de psicologia e nem sabem fazer um desenho, mas sabem entender o utilizador. Isso sim é importante para um UX designer.

Também queria acrescentar que muitas empresas têm o pensamento que UX não é importante e que é apenas uma Buzzword. Na verdade, até não havendo um UX Designer dentro da empresa, ensinar UX thinking em todas as áreas pode fazer uma enorme diferença no que é desenvolvido.

E.

Como te manténs atualizado nas tendências do design de experiência e interface? Podes partilhar alguns desses recursos connosco?

H

Uso muito as redes sociais (Twitter, Medium, Facebook e Linkedin) e estou subscrito a várias newsletters. Podem encontrar uma lista dos meus favoritos de momento aqui. Estou ainda ativo no grupo do #Slack Ux Commununity e implementei o plugin da Muzli no meu Google Chrome. Assim vejo as novidades todos os dias quando abro o browser.

Além desses dois, tento ir a conferências e eventos sempre que possível. Os que têm workshops são ainda mais produtivos porque nos permitem interagir com diversos profissionais nacionais e internacionais. Dois bons exemplos são o UXLX e Productized.

E.

Tens alguma meta profissional que gostarias de cumprir nos próximos tempos?

H

Ao dar o workshop na EDIT. já estou a cumprir uma meta, a partilha de conhecimento de UX.

Também gostaria de trabalhar em projetos que tenha algum tipo de impacto positivo e significativo na vida das pessoas.

E.

Por fim, gostarias de deixar algum conselho a quem ambiciona integrar o mercado digital na área do UX design?

H

Mais do que nada, sugeria viver experiências e observar como outros vivem as experiências deles.

Uma boa pratica é tentar ouvir, observar e fazer perguntas em vez de só falar. Este processo pode nos dar mais empatia do que todos os livros e cursos do mundo. Isto não quer dizer que os livros ou cursos não sejam uma fonte importante para entender os processos de UX.

Além disso sugeria a interação com profissionais da área e efetuar perguntas. Tentar fazer workshops ou cursos para entender a parte pratica além da teoria.

UX está em constante evolução
e por isso não se pode assumir que se sabe tudo sobre este assunto, sendo fundamental ter uma mente aberta e continuar em constante atualização .

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