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Fernando Silva
Tutor

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Fernando Silva
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Fernando Silva, Digital Copywriter na FUEL, é tutor dos cursos Social Media Marketing Strategy e Digital Marketing Foundations na EDIT. Lisboa e explica-nos como surgiu o gosto pela escrita e pelo digital, a sua perspetiva de tendências da área e casos de sucesso.

“A paixão por uma atividade é contagiante, e é desse tipo de pessoas que as empresas e o mundo precisam."

E.

Fala-nos um pouco sobre o teu percurso académico e profissional. Como surgiu o interesse na área do copywriting?

F

Acho que fui bafejado pela sorte, descobri bastante cedo a área profissional que queria seguir. No secundário, ingressei num curso profissional de marketing e publicidade e tive a oportunidade de conhecer professores que souberam transformar a minha curiosidade em paixão.começou a crescer também o gosto pela formação.

O ensino superior veio confirmar essa vocação e o copywriting foi uma escolha óbvia. Sempre estive rodeado por livros e o gosto pelas palavras tornou tudo mais fácil. Pelo meio, ainda frequentei a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, mas até aí a escrita estava presente.

Profissionalmente, sempre estive ligado à área. Quando vim de Coimbra para Lisboa, em 2013, foi pela oportunidade de ser copywriter numa agência de publicidade. Entretanto, já lá vão 5 anos e continuo a adorar o que faço.

E.

Na tua perspetiva, as empresas/marcas em Portugal, têm aproveitado todo o potencial do copywriting?

F

Existem empresas em Portugal que têm uma visão de marketing muito boa e que, por isso, tiram também um excelente partido do copywriting. A grande parte delas são marcas grandes, mas também há negócios de dimensão menor que fazem um bom trabalho e, às vezes, sem terem grandes recursos.

No geral, diria que a grande maioria do mercado ainda não está consciente do valor do copywriting na construção de uma marca, mas acredito que vamos assistir a cada vez mais casos de empresas preocupadas em investir nesta área.

E.

Podes destacar alguns exemplos de sucesso no digital que estejam a tirar partido das potencialidades do copy, na tua perspetiva?

F

Acho que a Super Bock traz para o digital o excelente trabalho que tem feito no offline desde que me lembro. O copy tem simplicidade, inteligência e humor. Já há muitos anos que é bom.

Depois, pela audácia numa altura em que as pessoas se ofendem com facilidade, destacaria o Cemitério Jardim da Ressurreição. Ainda que no Brasil haja maior abertura para abordar certos temas, não deixa de ser fantástico que uma página de Facebook de um cemitério tenha um sucesso gigantesco ao falar sobre um assunto incómodo e que muitas vezes é tabu. O trabalho que ali se vê é a construção de um conceito alicerçado no humor do copy.

E.

O que é que achas que ainda pode evoluir neste campo, no mundo digital? Quais serão as tendências?

F

Martin Lindstrom escreveu um livro onde aborda aquilo a que chama “Small Data”, ou seja, pequenos dados das nossas vidas mundanas que desconhecemos e que escondem em si uma grande quantidade de informação. Na “Small Data” revelam-se desejos subconscientes e, possivelmente, tendências. Depois de o ler, acho que podemos evoluir no estudo do consumidor e perceber necessidades que vão surgir com a evolução natural da humanidade e, claro, da tecnologia.

De qualquer forma, quaisquer que sejam as tendências, julgo que teremos de ser cada vez mais capazes de envolver o consumidor com as marcas. Se isso se dará através de storytelling, gamification ou realidade aumentada, não sei, mas insights fortes ditarão sempre a pertinência de cada ideia ou tendência.

E.

Quem trabalha no Marketing Digital precisa de estar constantemente atualizado. Que plataformas ou recursos utilizas com este objetivo?

F

Estar constantemente informado é uma coisa que me dá algum prazer. Gosto muito daquilo que faço e vejo muita coisa diariamente, o que acaba por me dar muita da informação sem estar necessariamente à procura dela.

É claro que tenho três ou quatro sites/blogs de referência que sigo e que até costumo abordar durante as formações, mas a grande fatia da informação que me mantém atualizado está na observação diária de notícias e na curiosidade natural que tenho pela área.

E.

Recebeste vários prémios com O Primeiro WhatsApp Bar do Mundo. Contextualiza-nos sobre esta tua ideia que foi tão bem distinguida.

F

Tudo começou com um desafio da Jameson para comunicar o Arraial de St. Patrick’s Day, uma festa associada à amizade para celebrar o feriado irlandês. No briefing que recebemos, havia várias permissas que deviam ser respeitadas e uma delas era de que toda a campanha devia viver somente online.

A ideia de criar O Primeio WhatsApp Bar do Mundo, partiu de um insight fortíssimo que nos permitiu cumprir todos os pressupostos pedidos pelo cliente: os amigos juntam-se em grupos nos bares, mas hoje em dia juntam-se em grupos no WhatsApp para quase tudo.

A partir daqui, unimos as duas realidades e recriámos um bar no WhatsApp com mesas, bebidas, barman e até um horário de funcionamento. Depois de se registarem num site, os amigos eram convidados para grupos que funcionavam como mesas com as quais o barman comunicava em tempo real durante o seu horário de trabalho. Desta interação e resolvendo desafios, as pessoas recolhiam emojis que valiam prémios, bilhetes para o arraial e, claro, bebidas.

No final, a ideia foi muito bem recebida por todos, os resultados superaram a expectativa e o Arraial de St. Patrick’s Day foi um sucesso.

E.

Tens alguma meta profissional definida que gostasses de cumprir?

F

Tenho muitas, felizmente. A auto-realização é uma utopia. Quando consegues algo que querias há muito, vais sempre encontrar uma outra coisa que gostavas de alcançar ou fazer. E esta área é pródiga nisso.

Algumas metas profissionais que tenho acabam por fundir-se com a vontade pessoal. É meio utópico achar que o meu trabalho vai mudar o mundo, mas quero acreditar que pode mudar alguma coisa. Gostava muito de fazer um projeto que pudesse ajudar o planeta e minimizar o impacto quotidiano que temos na fauna e flora. Vejo a publicidade e o trabalho que posso fazer com certas organizações como uma forma para o alcançar.

E.

És tutor dos cursos intensivos Social Media Marketing Strategy e Digital Marketing Foundations na EDIT. Lisboa. Qual é o teu método de ensino?

F

O meu método de ensino é sempre assente na ideia de conceber uma aula/sessão onde eu gostasse de estar. Gosto muito de aprender sobre seja o que for, mas sempre funcionou melhor quando do outro lado estava alguém capaz de me passar a mensagem de uma forma que me envolvesse.

É óbvio que há teoria que tem de ser dada, mas o entusiasmo com que falas de uma coisa é determinante para que do outro lado haja receptividade. Ao longo do meu percurso já fiz bastantes apresentações e, sem dúvida alguma, todas correram melhor sempre que se transformavam numa história que podia ser contada.

Resumindo, tento passar a informação sendo muito prático e abordando casos reais que me tenham acontecido ou não. O resto é história.

E.

Por fim, e na tua opinião, que características deve ter um bom profissional de digital copywriting para que possa diferenciar-se no mercado?

F

Hoje em dia, as competências técnicas estão mais ou menos ao alcance de todos. A informação está muito mais democratizada e o interesse pode levar-nos a aprender o que quisermos. O que começa a ditar os melhores profissionais são as competências pessoais e sociais.

Há fatores como a iniciativa, curiosidade, organização, brio ou criatividade que podem ajudar qualquer um a diferenciar-se no mercado, mas há uma característica que, para mim, é basilar: paixão.

Não falo só de um bom digital copywriter, falo de qualquer profissional. A paixão por uma atividade é contagiante, e é desse tipo de pessoas que as empresas e o mundo precisam.