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Bruno
Contreiras Mateus
Tutor

entrevista

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Bruno
Contreiras Mateus
Tutor

Com um percurso nas áreas do Jornalismo e do Marketing Digital, Bruno Contreiras Mateus é atualmente Head of Digital do Dinheiro Vivo, e tutor do curso intensivo Data-Driven Marketing & Analytics da EDIT. Lisboa. Menciona, nesta entrevista, as principais tendências da área e boas referências de leitura para quem quer saber mais sobre SEO & SEA.

Um bom profissional nesta área deve conjugar criatividade com uma boa capacidade analítica. É fundamental também que tenha um gosto permanente por aprender – este é um universo em constante mudança –, tem que se ser inquieto e ter um gosto profundo por comunicar.

E.

Conta-nos o teu percurso académico e profissional. Como surgiu o interesse na área do Jornalismo e posteriormente do Marketing Digital?

B

O jornalismo é a junção de duas paixões: a escrita e a rádio. Mas não foi assim na minha vida desde sempre.

Quando era miúdo eu queria ser piloto de automóveis. Adorava carros e sabia tudo sobre eles, desde as marcas – e algumas eu até identificava pelo som do motor – ao funcionamento de todos os componentes. E assim moldei o percurso inicial na minha vida académica ao ir estudar engenharia mecânica.

Até que três anos depois mudei de curso… para Filosofia. As leituras que fazia na época levaram-me a mergulhar num pensamento lógico e na descoberta da resolução dos problemas desta forma.

Foi na faculdade que conheci então um amigo e colega que era jornalista no Público. E também eu, que gostava de escrever e tinha a paixão pela rádio – o meu tio paterno era radialista –, depressa comecei a colaborar num jornal regional do Barreiro e mais tarde fui estagiar para o Público.

Nunca fiz rádio, mas já entrei em antena na TSF. Na altura, os jornais em papel falaram mais alto.

Há cerca de cinco anos surgiu a oportunidade – numa carreira já com 15 anos – de editar o site do Correio da Manhã e da então lançada televisão CMTV. Este foi o maior desafio de mudança profissional que enfrentei. Tinha de passar a conhecer todo o processo ligado ao digital.

Como estava a fazer um mestrado em Jornalismo, a minha tese acabou por incidir no papel do Facebook na distribuição da notícia – e durante esta investigação especializei-me  em Social Media Management. Nesta altura eu já sabia que o conteúdo era rei, a distribuição considerava-a rainha, mas ainda faltava aprofundar muitos aspetos ligados ao digital. Daí que o Marketing Digital tenha vindo a assumir um papel preponderante na minha formação.

À medida que fui crescendo profissionalmente passei a ligar de forma multidisciplinar com diversas equipas técnicas na construção, acompanhamento e resolução de todos os problemas relacionados com sites informativos.
Tenho por isso aprofundado, de forma sistemática e constante, os meus conhecimentos na área do Marketing Digital para otimizar da melhor forma os sites com os quais trabalho no Global Media Group, a marca dona do Dinheiro Vivo, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, TSF, O Jogo, entre outros títulos.

E.

Na tua perspetiva, o interesse da indústria e do mercado digital pela área de Search & Performance tem vindo a aumentar? Em quantidade e qualidade?

B

Acredito que sim, que haja um aumento em quantidade, mas sobretudo em qualidade. Principalmente porque que tem havido uma aposta na literacia digital e as empresas estão cada vez mais conscientes da importância do Search & Performance para a estrutura do seu negócio. A transformação digital é uma revolução que já está em curso. Têm-se feito apostas mais assertivas e qualificadas.

E.

Porque é que as empresas devem investir em SEO & SEA?

B

A partir do momento em que as empresas fazem a transição digital – isto se já não forem nativas digitais – têm de otimizar as novas montras do seu negócio para se tornarem competitivas neste mundo global, muito exigente e em constante transformação. Trabalhar os seus sites, tanto de forma orgânica como através de anúncios, exige um elevado grau de conhecimento de diversas variáveis internas e externas à empresa, bem como elevada capacidade analítica para tomar decisões com retorno do investimento.

E.

O que é mais importante num processo de otimização de sites?

B

Diria que há três aspetos fundamentais: 1) conteúdo de excelência – a velha máxima “o conteúdo é rei”; 2) pensar sempre na experiência do utilizador, tal como o Google faz; 3) medir resultados e analisar o planeamento estratégico de acordo com estes insights.

E.

Podes destacar um ou dois exemplos no mercado que estejam a tirar partido das potencialidades do SEO & SEA?

B

A Nestlé em Portugal tem, desde 2016, o Digital Acceleration Team. Esta equipa de especialistas na área digital, social media e e-commerce estão permanentemente a monitorizar as suas marcas e os concorrentes, à procura de oportunidades de elevar o negócio. É um modelo a seguir.

A Sonae é outro exemplo – para nomear apenas duas – de uma empresa com perceção das potencialidades do SEO & SEA, por exemplo, através da marca Continente Online, que aproveita bem o facto de 70% do seu tráfego ter origem no Google.

E.

Que recursos/leituras aconselhas a quem quer aprender mais sobre este tema?

B

Há um mundo de informação sobre o tema. O Google Webmasters tem resposta às principais questões. Há também tutoriais no Youtube de especialistas de renome, ou do próprio Google. O livro The Art of SEO: Mastering Search Engine Optimization, de Eric Enge da Stone Temple Consulting, Stephan Spencer e Jessie C. Stricchiola. Outro livro – para referir apenas dois – é Os 8Ps do Marketing Digital”, de Conrado Adolpho. A revista Net tem sempre artigos com especialistas que falam sobre SEO. Através do link https://twitter.com/search-advanced podemos encontrar especialistas para seguir, tal como no LinkedIn podemos seguir grupos de profissionais que discutem o tema.

Depois existem ferramentas essenciais como o Google Analytics, Google Ads, Google Search Console, Google Trends, Google News. E muitas outras como o Moz ou o SEMrush.

E.

Num âmbito mais geral, que tendências prevês na área do Marketing Digital?

B

Nos próximos anos, vão surgir novas profissões nesta área – muitas delas nem imaginamos quais serão. E isso é o reflexo de um mundo (digital) em transformação.

Contudo, destaco quatro tendências (se é que podemos assim chamar) que impactam no Marketing Digital: 1) os comandos por voz; 2) a inteligência artificial; 3) a Web Semântica, que tem sido associada à Web 3.0; e 4) a realidade virtual e a realidade aumentada. Destaco ainda as alterações dos padrões de consumo, que obrigam a que a indústria acompanhe, como uma quinta tendência.

E.

Tens alguma meta profissional que gostasses de cumprir?

B

Tenho sempre muitas ideias e objetivos de futuro. Sempre que me apaixono por uma coisa nova quero vivê-la intensamente – e neste mundo digital em permanente evolução, há muito para viver e apaixonar. Posso dizer que no imediato trabalho para bem servir os utilizadores dos sites que coordeno. No futuro próximo? Gostava de fundar a minha startup.

E.

És tutor do curso intensivo Data-Driven Marketing & Analytics na EDIT. Lisboa. Qual é o teu método de lecionar as aulas?

B

É um privilégio poder partilhar experiências. E dar aulas é partilhar e receber conhecimento. A teoria serve para nos fazer pensar, dar background. Mas a prática é fundamental para pormos à prova o conhecimento. O meu método de ensino consiste em estabelecer um diálogo, assim todos estaremos disponíveis para ouvir, perguntar e experimentar.

E.

Por fim, e na tua opinião, que características deve ter um bom profissional desta área, e do Marketing Digital, para que possa diferenciar-se no mercado?

B

Um bom profissional nesta área deve conjugar criatividade com uma boa capacidade analítica. É fundamental também que tenha um gosto permanente por aprender – este é um universo em constante mudança –, tem que se ser inquieto e ter um gosto profundo por comunicar. Procure ser multidisciplinar e trabalhar em equipas multidisciplinares.