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Rodrigo Teixeira Lourenço
Professor

entrevista

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Rodrigo Teixeira Lourenço
Professor

Rodrigo Teixeira Lourenço é docente no Instituto Politécnico de Setúbal e faz parte da equipa que irá lecionar e acompanhar os projetos criados na nova Pós-Graduação em Design Thinking para a Inovação Tecnológica. Conhece o seu percurso académico e profissional e contributos em projetos de investigação, nesta entrevista.

O importante não é o impacto presente das decisões presentes, mas sim o impacto futuro das decisões presentes. Ora, como normalmente não conhecemos o futuro, não há outra forma de o imaginarmos… e isso só é possível com elevada criatividade e inovação!

E.

Conte-nos um pouco sobre o seu percurso académico e profissional, e de que forma surgiu o interesse pela área da Gestão de Empresas e também por lecionar.

R

Sou docente do Ensino Superior há 20 anos. A atividade de lecionar é aquilo que mais gosto de fazer na vida. E por incrível que pareça o que mais me fascina nesta atividade é o facto de na escala da aprendizagem, só se aprende efetivamente quando se consegue ensinar aos outros! Ou seja, na realidade, para mim ser docente é estar sempre a aprender! O interesse pela Gestão de Empresas foi um pouco casual, pois era comum na altura. Contudo, a transversalidade dos conceitos e o facto de hoje em dia a gestão ser muito mais do que gestão de empresas, sendo cada vez mais comum a utilização dos conceitos em áreas tão diversas como organismos estatais, educação, saúde, e até mesmo na vida pessoal, entre muitas outras, têm-me tornado um entusiasta! Em particular no que se refere à aplicação dos conceitos à educação.

E.

Qual o papel da investigação na sua carreira profissional?

R

A investigação é o nosso dia-a-dia. Para lecionar temos de estar sempre em busca de algo novo, de algo mais recente, de algo mais atual. Não faz sentido ensinar tendo por base o passado. Há que ensinar tendo por base o passado, o presente e o futuro. Para isso só existe uma forma… investigar! Tenho publicado e participado em conferências na área da gestão, essencialmente relacionadas com a minha principal área de investigação, a gestão de instituições de ensino.

E.

Pode partilhar connosco alguns projetos/investigações que mais gosto lhe tenham dado em participar?

R

Estive envolvido no projeto de investigação para o Conselho Nacional de Educação, sobre o modelo de governação das Instituições de Ensino Superior (IES). Esse foi sem dúvida o projeto que me deu mais gosto trabalhar, pois estava relacionado com a minha área de investigação. Conhecer melhor como funciona a governação das IES permitiu-me conhecer melhor a problemática da gestão de uma das tipologias de organização mais complexas, que são as Instituições de Ensino Superior. Estive igualmente envolvido num projeto em parceria com o SinesTecnopolo e com a EDP, que visou a formação de empreendedores e apoio à concretização das suas ideias de negócio. Deste projeto resultaram 6 startups.

E.

Na sua ótica, porque devem as empresas apostar em metodologias que promovem a criatividade e inovação no desenvolvimento de produtos e serviços, como é o caso do Design Thinking?

R

Tal como referi relativamente à investigação, a criatividade e a inovação devem ser o dia-a-dia das empresas. Não faz sentido gerir empresas tendo por base o passado. Há que gerir tendo por base o passado, o presente e o futuro. Como diziam dois famosos autores da área da gestão estratégica, Prahalad e Gary Hamel, o importante não é o impacto presente das decisões presentes, mas sim o impacto futuro das decisões presentes. Ora, como normalmente não conhecemos o futuro, não há outra forma de o imaginarmos… e isso só é possível com elevada criatividade e inovação!

E.

Que evolução prevê nesta área de estudo, num curto-médio prazo?

R

Prevejo um desenvolvimento muito grande e muito rápido. Isso aliás já é notório no facto de hoje em dia serem as empresas as responsáveis pela maior fatia de investimento em investigação e desenvolvimento. Algo que antigamente era dominado pelas Instituições de Ensino Superior, hoje é dominado pelo tecido empresarial. E como tal é cada vez mais necessário que as pessoas pensem de forma profissional de como inovar e como pensar o futuro!

E.

A EDIT. e o IPS lançaram recentemente a Pós-Graduação em Design Thinking para a Inovação Tecnológica, da qual é professor. Porque devem os profissionais apostar numa formação nestes moldes? Qual a relevância da componente prática da Pós-Graduação, em que os alunos irão desenvolver projetos em laboratório?

R

O importante nesta pós-graduação é verdadeiramente a vontade de querer partilhar conhecimentos. Não se poderá dizer que é por se tirar esta ou outra pós-graduação, ou outra qualquer formação, que algo de imediato irá mudar nas nossas vidas. Mas o que se pode dizer com toda a certeza é que se queremos mudar algo nas nossas vidas, essa mudança passa necessariamente por termos mais conhecimento, mais competências, maior capacidade de partilha e, fundamental, maior capacidade de implementação. Essa é aliás uma das vantagens desta pós-graduação! Para além de combinar a vertente conceptual com a vertente prática, irá permitir aos formandos ter acesso a laboratórios de ponta que lhes permitirá interagir com algumas das tecnologias mais avançadas na produção industrial.