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Fernando
Valente
Professor

entrevista

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Fernando Valente
Professor

Fernando Valente é docente do Instituto Politécnico de Setúbal e pertence à equipa da nova Pós-Graduação em Design Thinking para a Inovação Tecnológica. Reforça, nesta entrevista, a importância da formação contínua, contextualizando com o seu percurso na investigação.

As empresas devem apostar em profissionais com conhecimentos em Design Thinking pois estes “estão preparados com ferramentas que lhes permitem entender a ambiguidade e instabilidade do atual ambiente de negócios e responder com soluções criativas e diferenciadoras (…)”

E.

Conte-nos um pouco sobre o seu percurso académico e profissional. Como surgiu o gosto pela área da Gestão, de Empresas e Industrial, e porque enveredou pela docência?

F

O percurso académico iniciou-se com o curso de professor do ensino primário (em Bragança), completado em 1979, tendo exercido funções de professor neste grau de ensino até 1987. Nesta data concluí a licenciatura em Organização e Gestão de Empresas no ISE (atual ISEG da UL). Nesse mesmo ano ingressei numa nova etapa profissional, tendo exercido o cargo de Diretor de Produção numa empresa do ramo editorial durante 7 anos e criado a minha própria empresa que detive durante 12 anos. Em 1996 ingressei no Instituto Politécnico de Setúbal, respondendo a uma oportunidade e devido ao gosto pela área de ensino, onde ainda hoje exerço funções docentes.

E.

Qual o papel da investigação na sua carreira profissional?

F

A investigação teve maior importância na minha carreira nos últimos 10 anos. Desde aí tenho mais de 20 artigos, 7 capítulos de livros e um livro internacional publicados em coautoria com outros colegas. Têm contribuído não apenas para garantir uma atualização permanente e a abordagem a temas atuais decorrentes das mudanças que vão ocorrendo; têm também sido um contributo precioso no apoio à docência.

E.

Pode partilhar connosco alguns projetos/investigações em que participou e principais resultados, de forma breve?

F

Recentemente, participei num projeto de formação de empreendedores (Projeto semente) em colaboração com o Sinestecnopolo. O principal resultado foi a criação de 6 startups.

Em simultâneo participei num projeto de promoção do empreendedorismo dos Institutos Politécnicos (Projeto PIN), financiado pelo Portugal 2020, ainda em curso, mas que neste momento resultou já na edição de 3 livros onde, em coautoria, participo em 4 capítulos.

Também estou a participar num projeto em colaboração com a Câmara Municipal do Seixal “Laboratório Vivo para a Descarbonização da Baía do Seixal (LVpD)”, onde sou responsável pelo desenho e acompanhamento da implementação do modelo de gestão.

Entre 2011 e 2014 participei num projeto designado por “PRODUTECH – PTI, Novos Processos e Tecnologias Inovadores para a Fileira das Tecnologias de Produção” financiado pelo QREN na sua linha Sistema de Incentivos á Investigação e Desenvolvimento Tecnológico e cujo principal resultado foi uma ferramenta para a criação ou reformulação do modelo de negócio.

E.

Na sua ótica, como é que metodologias como o Design Thinking podem facilitar/melhorar processos no desenvolvimento de produtos e serviços?

F

Sendo uma metodologia que procura soluções para os problemas de forma coletiva e colaborativa, adotando uma abordagem prática e onde as pessoas são colocadas no centro de desenvolvimento do produto/serviço, não somente o consumidor final mas todos os envolvidos no processo, é propícia à geração de ideias disruptivas e de produtos e serviços diferenciadores e em conformidade com as reais necessidades das pessoas.

E.

Neste sentido, porque devem as empresas apostar em profissionais com estes conhecimentos e competências?

F

Porque estão preparados com ferramentas que lhes permitem entender a ambiguidade e instabilidade do atual ambiente de negócios e responder com soluções criativas e diferenciadoras através de abordagens centradas nas partes interessadas, na inovação e no empreendedorismo.

E.

Qual a importância da formação contínua, nestas áreas?

F

A mudança e evolução de necessidades, gostos e tendências, bem como os avanços no conhecimento, exigem, nesta, como noutras áreas, a necessidade de uma atualização e aprendizagem permanentes.

E.

A EDIT. e o IPS lançaram recentemente a Pós-Graduação em Design Thinking para a Inovação Tecnológica, da qual é professor. Porque devem os profissionais apostar numa formação nestes moldes?

F

Porque disponibiliza conhecimento teórico e ferramentas práticas para lidar com a mudança e com a inovação. A mudança é uma constante e a inovação é a resposta que permite manter a competitividade nos negócios.

E.

Qual a relevância da componente prática da Pós-Graduação, em que os alunos irão desenvolver projetos em laboratório?

F

É da maior importância, pois prepara os alunos para a aplicação em contexto real do conhecimento teórico adquirido que é necessário ao desenvolvimento da atividade nas suas diferentes vertentes, e à resolução de problemas reais e diversificados, que são por natureza ambíguos e complexos.