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EDIT. entrevista Javier Cuello

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EDIT. entrevista Javier Cuello

06 Outubro 15

EDIT. - Disruptive Digital Education

Javier Cuello, UX Designer, cita os principais desafios sobre o desenvolvimento de apps para mobile, referindo também conceitos como Lean UX e mobile first.

E.

Fala-nos um pouco sobre a tua carreira

J

Eu comecei por estudar design gráfico na Argentina, e eu sabia que queria trabalhar na área do digital e, por isso, comecei a desenvolver websites na Argentina. Mais tarde, depois de terminar a minha carreira e de ter trabalhado como freelancer, mudei-me para Barcelona para aprender a desenvolver aplicações para mobile. Passei por empresas pequenas, por empresas grandes e durante este tempo aprendi a desenvolver aplicações e, devido ao meio em que estava inserido, comecei a interagir com UX/UI designers, artistas visuais e investigadores e a aprender muito mais devido a essa experiência.

E.

Qual é o teu workflow atualmente?

J

A minha workflow mudou bastante recentemente, Isto porque eu gosto de fazer vários projetos ao mesmo tempo, eu não gosto de me concentrar apenas num único projeto. No entanto, tudo depende dos deadlines, e por vezes, eles não me permitem fazer isso. Mas a minha workflow para um único projeto consiste em fazer um sketch em papel no início, para ter uma ideia do que quero fazer, e só depois passo para o computador. De seguida, desenho as wireframes e faço o teste no meu smartphone e com outras pessoas para saber se está tudo a funcionar corretamente.Depois passo para o design visual e para a implementação. E, acima de tudo, gosto de estar envolvido em todas as fases do projeto para assegurar a qualidade do produto final.

E.

A tua experiência é em design offline. Como foi a transição para o digital?

J

Quando comecei a minha carreira, os sites estavam apenas no início, por isso era normal dar mais atenção ao offline. Mas eu sempre soube que o que queria realmente era o design interativo. Lembro-me de quando estava na universidade e dos professores a explicarem o processo para implementar algo no offline e eu começava a cantarolar canções na minha cabeça só para os ignorar; isto porque sabia que o que queria mesmo era o design interativo. Daí ter sido fácil para mim porque eu sabia o que queria e porque mesmo antes de entrar na universidade eu já tinha começado a aprender sozinho como é que as coisas se faziam. Por isso, sim, a transição foi fácil e sem problemas.

E.

Quais são os principais desafios no desenvolvimento de apps para mobile?

J

O principal desafio é construir algo que seja realista, algo que seja uma boa escolha para desenvolver em equipa. Normalmente, quando trabalhamos num projeto, estamos separados da equipa e isso é algo que dificulta o processo. Por essa razão, um dos principais desafios é, por um lado, trabalhar em equipa, e por outro desenvolver algo que seja útil para o consumidor.

E.

Aplicas técnicas de lean ux no teu trabalho?

J

Eu gosto do conceito do Lean UX porque vais ter algo que resulte, pode não ser a solução final e a melhor, mas é uma boa prática porque nos obriga a trabalhar depressa para obter bons resultados.

E.

Qual deveria ser o workflow entre designer e programador?

J

É uma boa ideia o designer e o programador estarem em constante comunicação. Mas existem empresas que separam os designers dos programadores, e eu não sou adepto dessa filosofia. Também está muito presente, atualmente, a questão se os designers têm que aprender código. Eu acho que há profissionais para tudo e é uma boa ideia saber codificar, mas  mais no sentido em que vai facilitar a comunicação entre o designer e o programador. Contudo é sempre bom saber um pouco de ambos.

E.

Concordas com o conceito de mobile first?

J

Pessoalmente, há certas coisas que considero serem “trends”, e o mobile first é certamente uma dessas “trends” no sentido que hoje em dia todos achamos que esse é o único caminho nesta área. Mas temos que pensar seriamente se o mobile first se adequa ao nosso produto e se irá funcionar no nosso projeto Mas há coisas do mobile fist que gosto porque permite-nos pensar de uma forma muito específica. Por exemplo, no início havia muitas limitações em termos de tamanho de ecrã e tínhamos que nos habituar a eventualidades desse género. No fundo, o mobile first obriga-nos a pensar nas limitações que temos e a tentar arranjar soluções para as ultrapassar.

E.

Podes indicar-nos o projeto que mais tenhas gostado de trabalhar?

J

Eu gosto de pensar que o meu melhor projeto ainda está para vir. Isto porque os designers têm a tendência para ser muito críticos em relação ao seu trabalho e, por isso, não posso dizer que tenho um projeto que considere o melhor porque sei que vou trabalhar em coisas fantásticas no futuro.

E.

O que é que os alunos podem esperar deste workshop?

J

É comum encontrar alunos com experiências muito diferentes em relação ao UXUI. Existem aqueles que já têm experiência a desenvolver aplicações e existem aqueles que não sabem muito e aqueles que estão aqui para aprender do zero. A minha esperança é que depois deste workshop, os alunos consigam aplicar o que aprenderam no seu trabalho profissional e se sintam satisfeitos com o que aprenderam.

E.

O que pensas da interação entre profissionais ativos e os alunos?

J

Penso que é excelente os alunos poderem aprender e trabalhar com um profissional ativo que está por dentro de como funciona uma agência. E é também uma mais-valia para as empresas porque é uma situação em que ambos recebem algo em troca.

E.

Que conselhos podes dar a um recém-licenciado ou a um júnior que queira começar uma carreira na área do UXUI?

J

O primeiro conselho é virem ao workshop. O segundo é não estarem à espera que alguém vos ensine o que fazer. Sejam curiosos e construam e destruam os vossos próprios projetos para descobrirem as vossas próprias soluções. E esqueçam as tendências que vos tentam incutir uma forma facilitada de resolver um problema que no final de contas não vai resultar No fundo, oiçam os profissionais mas é importante que descobram o que podem fazer sozinhos.