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Susana Branco
Tutora

entrevista

Susana Branco
Tutora

Susana Branco, Business & Service Designer e Partner na Busigners, revela-nos o seu percurso profissional, e como este culminou com o Design Thinking. 

A tutora da EDIT. Lisboa partilha alguns projetos que desenvolveu e, principalmente, a relevância deste pensamento, ferramentas e metodologias para as empresas.

Todos trabalhamos para clientes. É muito importante compreendermos as pessoas que estes clientes são.

E.

Descreve-nos o teu percurso académico e profissional. Como surgiu o interesse pelo design, e também pela gestão de negócio e serviços?

S

O interesse pelo design surgiu bastante cedo, ainda antes do ensino secundário. Questionava-me sobre os objectos à minha volta, como eram criados e porquê.

Segui design industrial e explorei muito o “como”, materiais e processos de fabrico, mas a parte do “porquê” era uma dúvida que não via esclarecida.

Fui viver para Londres em 2008 e tive a oportunidade de fazer parte de uma empresa que adotou a metodologia de Design Thinking, e foi nessa altura que comecei a conhecer ferramentas que me permitiam explorar o “porquê”.

Foi aí que acabei por focar o meu trabalho numa fase mais de estratégia: decidi complementar a minha formação com um mestrado em Londres, que me permitiu pesquisar e explorar o lado das ciências sociais. Descobri que era importante compreender a componente de negócio das ideias, para que elas fossem implementadas corretamente.

Já de volta a Portugal, em 2011, comecei a explorar este lado mais business, através da ligação ao ecossistema empreendedor, e mais tarde complementei esta formação “on the job” com uma formação académica na Universidade Católica.

E.

Que mais valias e know-how te proporcionaram as tuas diferentes formações no estrangeiro, e experiências profissionais?

P

Quando mudas de emprego ou de país és exposto a novas rotinas, novas formas e metodologias de trabalho. Encontrei nestas mudanças o espaço para questionar a minha forma de trabalhar e pensar. Eu, pessoalmente, gosto bastante de primeiro aprender através do trabalho, e depois procurar consolidar/estruturar a minha formação no lado académico.

E.

Como é um dia da tua rotina de trabalho?

S

Não tenho rotinas; pode haver dias em que estou mais focada em trabalho comercial, outros dias em trabalho com equipa; no terreno a fazer trabalho de campo, em sala a facilitar sessões ou focada num trabalho mais individual de fecho de projectos.

E.

Porque devem as empresas apostar no Design Thinking? Em traços gerais, explica-nos este conceito.

S

As empresas devem apostar em inovação e, desta forma, adotar metodologias que as permitam inovar, consoante o desafio que têm em mão. Li em algum lado que “se só tiveres um martelo como ferramenta, vais tratar tudo como prego”.

Quando os desafios são complexos e difíceis de definir, o Design Thinking faz uso da empatia e do pensamento divergente para criar soluções, melhorando-as através de processos de iteração e feedback junto dos utilizadores.

E.

Que evolução prevês na área?

S

Para mim faz sentido conjugar esta metodologia de inovação com o mapeamento da Experiência de colaborador.  Os colaboradores das empresas têm um potencial enorme para serem agentes de mudança dentro das empresas nas quais trabalham. É preciso inovar para o cliente externo, mas também para o interno.

E.

Quais consideras ser os principais desafios do processo criativo?

S

A compreensão de que o importante não são as ideias, mas sim começar por compreender o problema que estamos a resolver, e só depois partirmos para a ideação e para a implementação.

E.

Podes partilhar um ou dois trabalhos que te deram especial gosto realizar?

S

Temos sempre um carinho especial pelos primeiros projectos que realizamos. Em 2008, a primeira vez que me cruzei com a metodologia, fiz parte de uma equipa que trabalhou oportunidades de inovação para dali a 10 anos (2018). Foi um projecto bastante aberto, cujo objetivo era inspirar e explorar novas áreas. Trabalhamos áreas como a “morte digital”, “Printing food” e “Augmented reality”, e passados quase 10 anos muitas das nossas previsões e ideias concretizaram-se mais cedo do que esperaríamos.  Mas nem todos os projectos têm esta dimensão. Guardo boas memórias de um projecto que fizemos para um pequeno cliente, uma empresa de 3 colaboradores, que começou com um pedido de website institucional e se transformou numa nova forma de olharem a própria empresa e abordarem os clientes.

E.

Como tem sido a experiência de ser tutora da EDIT.? Também aprendes com os teus alunos?

S

Para mim ensinar obriga-me a sintetizar e organizar o conhecimento que vou adquirindo de forma prática em projecto. Este exercício de organizar o que sei e explicá-lo de forma simplificada é também ele um processo de aprendizagem que me obriga a reflectir sobre a minha metodologia de trabalho.

E.

Podes deixar um conselho para quem pretende entrar no mercado digital? Porque devem apostar na formação em User Research e Customer Journey Mapping?

S

A formação de User Research dará as ferramentas para melhor conhecer os clientes do nosso cliente, e, dessa forma, conseguirem ter uma oferta diferenciadora, que vá ao encontro das suas necessidades. A formação em Customer Journey Mapping, por seu lado, irá permitir “tangibilizarem” experiências, o que permitirá identificar de forma clara problemas e oportunidades, conhecer a fundo a experiência existente e que pretendemos proporcionar, e ter uma visão holística de todos os momentos, pessoas envolvidas, pontos de contacto, e os todos os tópicos relevantes para o projeto a desenvolver.

Todos trabalhamos para clientes. É muito importante compreendermos as pessoas que estes clientes são.

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