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Catarina Garcia
Tutora

entrevista

Catarina Garcia
Tutora

Catarina Garcia é UI&UX Design na msg life Iberia, tutora no Programa UI&UX Design da EDIT. e no novo curso intensivo Design Thinking for Business Innovation. Constatar que o pensamento criativo não está confinado às artes e ao design, mas sim pronto a ser utilizado em qualquer área, e para resolver qualquer problema, fez com que estivesse cada vez mais atenta ao desenvolvimentos da área.

Designers são problem solvers, com o pensamento bastante estruturado, caso contrário não chegariam a resultados.

E.

Como surgiu o interesse na área do Design Thinking? O que tem em comum com User Experience Design?

C

Sigo o trabalho da IDEO já há alguns anos, e quando Tim Brown lançou o livro “Change by Design” em 2009, passei a estar muito atenta a todos os desenvolvimentos desta área. Para mim, foi a constatação que o pensamento criativo, não estava confinado às artes e ao design, mas sim pronto a ser utilizado em qualquer área, e para resolver qualquer problema. Quando em 2012 surgiu a pós-graduação na ESAD, foi a minha grande oportunidade de aprender um pouco mais.

E.

Como é o teu dia a dia de trabalho como UX/UI Designer?

C

É difícil ter uma rotina. Já fui mais madrugadora, apesar de dormir pouco, geralmente começo cheia de energia. Gosto de aproveitar a viagem de metro para colocar a leitura em dia. Chego à empresa (entre as 9h30 e as 10h) começo sempre por um bom café, a stand-up com a equipa, o que me organiza o dia, depois leio os emails e sigo com as tarefas do dia. E aqui a minha rotina é muito variável, sendo o meu trabalho maioritariamente dedicado ao design de aplicações, faço muito do design de comunicação, desde um stand para uma feira, ao flyer e aos postais de aniversário. Portanto vai depender muito da época do ano e dos projectos que tivermos em mãos. Mas sempre que posso, gosto de usar a manhã para pesquisa/criação, estou mais desperta. Gosto das tardes para mockups, reuniões… Às 5h, é sagrado, o meu apreciado café, 10 minutos de redes sociais ou dois dedos de conversa com os colegas, geralmente não saio antes das 19h, a não ser que seja dia de tutoria, felizmente tenho horário flexível. A partir daí tudo pode acontecer, dependendo do dia da semana, pode ser uma sessão de Desenho com uma amiga, uma aula de yoga, ao qual me converti recentemente, um café ou jantar com os amigos, ou simplesmente ir para casa, jantar e enfiar a cabeça em mais algum side project a que me esteja a dedicar (ou enfiar-me no sofá, mas é difícil estar parada).

E.

Com respeito ao Design Thinking, qual o benefício para as empresas de adotar esta metedologia na resolução de problemas?

C

Creio que aos poucos se está a diluir a ideia de que os designers são os criativos de cabeça no ar, que de repente vão ter uma ideia genial vinda do nada. Designers são problem solvers, com o pensamento bastante estruturado, caso contrário não chegariam a resultados. As empresas beneficiam imenso ao adoptar a prática de Design Thinking, pois passam a poder ter como ferramenta um método de pensamento, de resolução de problemas.

E.

Qual foi o projeto mais desafiante em que já participaste? Conta- nos um pouco sobre ele.

C

Bem, felizmente tenho vários, zona de conforto não é uma área onde passe muito tempo. Desde ter trabalhado para a Vodafone, onde as minhas personas eram “qualquer um com um smartphone” ou trabalhar para a imprensa online, onde o conteúdo é o protagonista com todas as suas nuances de forma, densidade, e estrutura, foram projectos que me marcaram muito.

Mas, o maior desafio de todos, encontrei-o na msg life, em todos os níveis. Passou por integrar uma nova abordagem ao desenho, pensamento e desenvolvimento de SaaS, adaptar o meu processo a design sprints, sem falar naturalmente do colossal desafio de organizar gigantes quantidades de informação simultânea, formulários com imensos campos com diferentes tipos e níveis de complexidade de informação e, mesmo assim, tentar garantir a melhor user experience, o melhor processo de trabalho dos meus utilizadores e em paralelo, tornar atraente, o que em conceito tem tudo de aborrecido: formulários de seguros.

E.

Que recursos utilizas para te manteres a par das tendências do digital?

C

Ui, questão delicada. Sofro muito com o constante bombardeamento de informação. Ao ponto de deixar de usar o Twitter. Tornei-me um pouco menos sedenta ao utilizar uma extensão para o browser chamada Muzli que me agrega os últimos artigos de alguns dos meus sites preferidos: abduzeedo, awwwards, designinspiration, pttrns.com. A Smashing magazine continua a ser um dos meus sites de referência. Product Hunt, The next web…e a lista não acaba e vai sendo aumentando ao longo dos tempos. Subscrevo algumas newsletters, desde a siderar, à Val Head, alertbox, a alisa apart…Uso o Behance para acompanhar o trabalho de algumas pessoas que me inspiram e admiro.

E.

Tens alguma meta profissional a cumprir nos próximos tempos?

C

Sim! Mas é surpresa 😉

E.

Para além do programa UX & UI Design, irás lecionar no novo curso intensivo da EDIT., o Design Thinking for Business Innovation. Como está a ser esta experiência?

C

Primeiro é um privilégio poder integrar a equipa da EDIT. Ao longo destes dois anos, cresci imenso, não só como profissional, mas na forma como entendo o ensino e o mercado.

Lecionar Design Thinking vai ser um grande desafio. Vai ser muito enriquecedor trabalhar com alunos provenientes das mais variadas áreas de saber e introduzi-las a esta metodologia de pensamento criativo. Estou ansiosa!

E.

Enquanto tutora, já aprendeste com os teus alunos?

C

Sim, todos os semestres. Há já quase dois anos que sou tutora no curso de UI e UX Design e aprendo sempre e acho que esse sentimento de partilha é que faz com que esta experiência seja sempre tão única. Desde o atalho no software, a um site sobre a área, ou a abordagem que alguém pensou para um carrinho de compras, enriquece-me sempre.

E.

Na tua opinião, de que forma devem ser lecionadas as aulas e transmitidos os conhecimentos?

C

Vivemos, sem dúvida, na era da informação e atualmente, é muito difícil alguém estudar uma área, sem que já tenha investigado, experimentado ou estado em contacto com o tema. É necessário estar atualizado e estar preparado para falar do mesmo assunto, há alguém que já desenvolveu projectos na área e quer saber mais, como alguém que está a fazer uma mudança de carreira. Da experiência que tenho tido na EDIT., não só é necessário transmitir os conceitos fundamentais, mas ter a plasticidade para ir ao encontro das necessidades e questões dos alunos. Sinto que também é fundamental mostrar a componente prática, os alunos compreendem muito melhor quando vêm os temas em prática, do que se ficarem só pela teoria.

E.

Que caraterísticas e mais valias deve ter, na tua opinião, um bom UX Designer?

C

Há duas características que creio que são imprescindíveis num bom UX Designer: ser um bom observador e um estudioso do comportamento humano. Somos seres cheios de aparentes incongruências, por exemplo, se me perguntares se gosto mais de doces ou de salgados, eu vou responder-te de doces. Se à porta do cinema me perguntares se prefiro pipocas doces ou salgadas, eu vou responder-te salgadas. E continuo a ser exatamente a mesma pessoa. Mas tendo em conta o contexto e os detalhes, os nossos comportamentos e preferências mudam, logo, para desenhar uma boa experiência, o UX Designer deve entender estas decisões, saber observar as nuances de comportamentos e transparecer de forma clara e objectiva aquilo que observa. Imagina que estás a desenhar um novo modelo de venda de guloseimas à porta do cinema. Para utilizadores como eu, o bom UX Designer vai ter que saber identificar se eu gosto mais de doces ou de salgados, ou de pipocas doces ou salgadas?

 

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