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Ricardo Melo
Tutor

entrevista

Ricardo Melo
Tutor

Começou o seu percurso profissional em 2000, integrando o departamento digital de um grupo de publicações especializadas, onde desenvolvia toda a vertende web para a presença das marcas online.
8 anos depois, integrou uma equipa multidisciplinar da Grand Union Portugal.
Atualmente é Head of Frontend da Grandunion & Fullsix, agência do grupo Havas.

E.

A sua formação académica influenciou a escolha da sua atividade profissional?

R

De certo modo sim. A minha formação académica foi ligada às artes, pelo que essa vertente acabou por ter uma grande ligação com o tipo de atividade profissional que tenho hoje em dia, no sentido em que a procura por criar é algo que me acompanha diariamente. No dia a dia, muitas vezes temos de ser bastante criativos e saber como contornar vários obstáculos. A vertente criativa da minha formação ajuda-me de certa maneira a abordar algumas questões de uma maneira mais focada e orientada para o resultado final. Complementa toda a parte lógica que preciso no meu dia a dia com uma vertente mais ligada ao visual, o que considero importante e algo que me ajuda na minha atividade profissional.

E.

Um bom profissional reflete-se num bom tutor?

R

Esta é uma questão interessante que penso não ter uma resposta muito simples. É claro que um bom profissional é claramente uma mais-valia para passar conhecimento e ajudar na formação de novos “talentos”. No entanto, existem muitos bons profissionais que não são naturalmente grandes comunicadores, mas que enquanto profissionais nas suas áreas são irrepreensíveis. Depois temos a outra vertente de profissionais que juntam a todo o seu know-how e experiência uma boa dinâmica e facilidade de discurso, que para mim são fundamentais para ser um bom tutor. É muito importante enquanto tutor ter uma clara abertura para entender que se vai passar conhecimento, mas que também se vai absorver conhecimento e experiências com os alunos. É importante criar uma dinâmica de troca de conhecimento entre tutor e aluno.

E.

Procura estabelecer novas técnicas e processos pedagógicos para aplicar nas suas aulas?

R

Sim claro, todas as turmas representam desafios diferentes, os próprios perfis dos alunos são distintos o que nos leva a ter sempre uma abordagem diferente de turma para turma e de aluno para aluno. Temos sempre de ter uma fase de análise da turma e dos alunos, para que o processo pedagógico seja adaptado a essa realidade, e com isso também ir evoluindo o próprio processo. Acredito que não deve existir um modelo totalmente fechado, mas que devemos ter guidelines que conforme as necessidades devemos adaptar para que o programa faça mais sentido e se consiga retirar o máximo de cada turma e de cada aluno.

E.

Como descreve a metodologia de ensino na EDIT.?

R

A metodologia da EDIT. é algo que me agrada particularmente, pois existe uma excelente dinâmica em cada programa onde conseguimos modelar o conteúdo programático para responder a diferentes perfis e expectativas. Acho que isso é bastante positivo, pois permite que o próprio programa evolua ao logo dos cursos de uma maneira mais fluída e que, muitas vezes, passa por troca de conhecimento entre todos, o que valoriza o programa e obviamente todos os intervenientes.
Considero que a abertura e a comunicação que a EDIT. proporciona é também uma mais-valia para a construção de uma metodologia sólida que depois se traduz em enormes potencialidades para todos os seus alunos.

E.

Os alunos são estimulados a participar em projetos colaborativos nas suas aulas?

R

No curso de Frontend & Responsive Web Development existem muitos conceitos para assimilar individualmente e grande parte do programa é desenvolvido a um nível mais individual. Todavia, derivado à metodologia utilizada, o que acaba sempre por acontecer é que a vertente colaborativa acaba por emergir ao nível da entreajuda para a conclusão de tarefas. É também bastante interessante ver toda a dinâmica que se cria enquanto curso de desenvolvimento web, onde o debate é muito incentivado durante as aulas, através de troca de experiência sobre o processo real do dia a dia. Posso concluir que apesar da maioria dos projetos de curso não serem por base colaborativos enquanto projetos, eles acabam por ter uma grande parte de colaboração e envolvência de todos.

E.

Qual a importância do feedback dos alunos?

R

O feedback dos alunos é sem dúvida um ponto com grande importância, pois serve de orientação para que seja possível fazer a adaptação da metodologia a utilizar durante o programa. Deve ser através desse feedback que podemos melhorar e corrigir o que não está tão bem.

Por norma incentivo muito os alunos a expressarem as suas opiniões e a darem o seu feedback. Tentar explicar que isso é algo que nos serve de guia e que são eles que vão retirar maior rendimento por darem esse feedback. Certamente sem ele seria mais complicado de entender onde podemos e devemos melhorar enquanto tutor e enquanto escola.

E.

Que recursos recomenda para os alunos se manterem atualizados sobre as matérias que leciona nas aulas?

R

Como tudo hoje em dia, a web. Num curso claramente técnico nada melhor do que consultar toda a documentação que temos disponível on-line.

A constante e rápida evolução das tecnologias e metodologias das próprias ferramentas é um dos grandes desafios que temos hoje em dia. Conseguir acompanhar o ritmo a que acontecem essas evoluções é bastante complexo, pois é necessário uma grande capacidade organizativa, até mesmo da própria gestão do tempo, e como tal o melhor recurso para isso é sem dúvida a web. Existem bastantes locais de referência onde a informação é bastante fidedigna e onde aconselho os alunos a pesquisar e a criarem uma rotina diária de procura de informação. É muito importante a proatividade para nos mantermos atualizados. É importante não parar.

E.

Quais os maiores desafios que os alunos recém-formados enfrentam ao entrar no mercado?

R

Principalmente a falta de experiência. Hoje em dia o mercado procura recrutar profissionais já com experiência, pois o tempo e ritmo para formar alguém é complexo e muitas vezes esse tempo não existe porque se pretende dar respostas rápidas às necessidades existentes. No entanto, ainda existem empresas que apostam na formação como meio de potenciar os seus recursos e que valorizam os mesmos como sendo uma mais-valia para a sua organização. Nesses casos penso que o maior desafio que podem encontrar é corresponder às expectativas que são levantadas e que para isso têm de trabalhar e continuar a sua formação muito para lá do típico horário laboral. É preciso ter muita paixão pelo que se pretende vir a fazer e a desenvolver. Depois temos a outra vertente das condições oferecidas a quem chega ao mercado que são por vezes pouco encorajadoras para quem investiu na sua formação… muitas vezes são precárias e com remunerações bastante limitadas. Essa realidade acaba por condicionar o mercado até mesmo para quem já está no mercado de trabalho e pretende evoluir e melhorar as suas condições.

E.

O contacto com as marcas no projeto final dos cursos, facilita o processo de aprendizagem e o ingresso no mercado de trabalho?

R

É bastante positivo todo o processo do projeto final, pois possibilita aos alunos o contacto com a realidade e com todas as fases pelas quais o projeto vai passar. As marcas transmitem a necessidade de trabalhar no projeto final como se de um projeto real se tratasse. Na grande maioria das vezes, são projetos que têm qualidade e competência para se virem a materializar em algo concreto para a marca. Essa qualidade de trabalho pode ser claramente um trunfo para ajudar a entrar no mercado de trabalho, além de também dar conhecimento sobre todos os processos que se vão encontrar no mercado de trabalho e como tal é uma vantagem que pode ser interessante para quem pretende recrutar.

E.

Na atividade profissional que desenvolve no seu dia a dia qual a área com maior potencial de crescimento?

R

Toda a vertente de desenvolvimento está sempre em constante crescimento, sempre com novas soluções a aparecer a cada momento. Uma das vertentes que está muito na “moda” é a IoT (Internet of Things). No entanto acho que ainda tem muito por onde evoluir para se criar não só novas ferramentas como desenvolver novas maneiras de interação com tudo o que conhecemos hoje em dia. Penso que o desenvolvimento web também será uma área com enorme potencial de evolução, pois criamos cada vez mais soluções web-based, e o ritmo de evolução como referi é constante e isso determina uma constante evolução e crescimento. Vemos hoje em dia um reflexo no mercado em que as áreas técnicas continuam em expansão. Considero que toda a área ligada ao frontend development, se quisermos focar apenas numa parte do desenvolvimento, será das que terá um maior potencial de crescimento a meu ver. Esta é uma área com muitos e diferentes desafios, desde a criação do típico website, à plataforma de e-commerce, a soluções de gestão e controlo de dados, aplicações para mobile devices, aplicações para smartTv’s, IoT, responsive development, etc.

Todos esses desafios fazem com que seja necessário evoluir e crescer de maneira a responder eficazmente e a construir soluções robustas, onde cada uma terá uma necessidade de diferentes tecnologias, linguagens e ferramentas. Considero que o frontend está e vai continuar a estar na primeira linha para responder a esses desafios com as ferramentas e metodologias certas.

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