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Luís Carreiras
Tutor

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Luís Carreiras
Tutor

Luís Carreiras, Senior User Experience Consultant na IHS Markit, revela-nos o seu percurso profissional, e como este culminou com o Design de Produto e o User Experience. 

A vantagem de desenhar para algo que quase toda a gente tem no bolso é que estamos sempre a fazer pesquisa e a aprender.

E.

Fala-nos um pouco do teu percurso académico e profissional. Como surgiu o interesse pela área do Design de Produto, e especificamente pelo User Experience?

L

A minha formação original foi em Design Industrial no Central Saint Martins College em Londres, onde aprendi a metodologia que aplico em todos os meus projetos e foi também no CSM que aprendi a definição de User-Centred Design, aqui na perspetiva de produtos físicos. Após a graduação trabalhei como freelancer em várias agências 360º, principalmente em projetos de Experiential Marketing, que normalmente envolviam uma parte física e uma parte digital. Foi aqui que tive um contacto mais próximo com designers no meio digital: UI, UX, Visual

A decisão de embarcar no mestrado em Human-Centred Systems, foi, por um lado, devido a uma curiosidade por trabalhar no meio digital (longe dos materiais, adesivos e parafusos a que estava habituado) e também para aproveitar a oportunidade de mercado na altura, em que a procura por UX/UI designers superava em muito a oferta.

Desde o mestrado tive oportunidade para trabalhar em agência e in-house, para clientes como Samsung, Microsoft, New Era, Farfetchacabando por me focar na área financeira (IG Group, Morgan Stanley, IHS Markit), aliando outro dos meus interesses pessoais ao User-Experience Design. O trabalho in-house têm-me permitido trabalhar em projetos com um feedback-loop definido, em que posso aplicar as várias valências de UX Designer, desde Research, Design, Evaluation, algo que não tive oportunidade do lado de agência, em que os projetos têm uma vida útil mais curta.

E.

De que forma é relevante para ti a experiência profissional no estrangeiro?

L

A minha experiência profissional é exclusivamente fora de Portugal. A experiência de trabalho em Londres vale pela perspetiva global dos projetos, pelos clientes para os quais se pode trabalhar e pela comunidade de praticantes de User Experience Design. Também tive a oportunidade de trabalhar remotamente em projectos de User Testing com praticantes de outros países (Estados Unidos e Singapura) e foi curioso identificar que as metodologias eram muito semelhantes, especialmente numa área que não é ‘regulada’ como se poderia dizer de uma engenharia ou arquitectura.

E.

E pela tua experiência, como vês a área do User Experience hoje em dia em Portugal? Comparando com o mercado do Reino Unido, quais as principais diferenças?

L

O meu ponto de referência são colegas que trabalham em Portugal já que ainda não tive a oportunidade de trabalhar com clientes no país. A principal diferença que noto é em relação à especialização, em Portugal o tipo de funções desempenhado pelos UX/UI designers é mais vasto que no Reino Unido, onde é normal ter um especialista em Research, que só faz estudos de usabilidade, etnografia, etc, um especialista em Interação, um especialista em Visual Design e por vezes até um Technologist para fazer a ponte entre os Designers e a execução tecnológica dos conceitos. Também é menos comum os designers fazerem projetos em áreas distintas, no meu caso, a experiência em serviços financeiros dita o tipo de clientes que me contactam para trabalhar.

E.

Qual a perspetiva de evolução na área, de um modo global?

L

Sinto que há um risco e uma oportunidade (sem querer ser exaustivo obviamente), por um lado sinto que o User Experience Design está a ser visto como solução para todos os problemas das marcas (que poderão beneficiar da aplicação de Design Thinking…) e que essencialmente são problemas do foro logístico, operacional ou técnico que requerem um certo tipo de experiência que um praticante de UX Designer terá dificuldade em absorver com as metodologias tradicionais e para os quais terá dificuldade em contribuir significativamente.

Falando de oportunidades, tenho sentido na minha prática na área financeira, que os User Experience Designers estão numa posição ideal para contribuir para a arquitectura de sistemas inteligentes e de automatização, o que poderá parecer um contrassenso, visto que não estarão a desenhar para humanos a interagir com máquinas, mas penso que será a evolução natural da profissão.

E.

Quais são, na tua opinião, as principais características de um bom exemplo de user interface, e de user experience?

L

Um bom interface, e a experiência associada à sua utilização, é contextual do problema-espaço onde será utilizado, é empático com as características dos seus utilizadores (físicas, psicológicas e técnicas) e que utiliza padrões de interação familiares aos seus utilizadores.

E.

Podes destacar um ou dois projetos que te deram especial gosto trabalhar?

L

Trabalhei no re-design da plataforma de trading quando estava na IG Group. Foi um projecto de 18 meses que envolveu uma fase de Research com 8 profissionais de User Experience Design e 100 clientes/utilizadores. Foi especialmente interessante pela dimensão da equipa e da interação entre os vários especialistas, foi um projeto que definiu a minha carreira desde então.

E.

Para quem quer saber um pouco mais sobre as áreas do Design Digital e do UX/UI Design, que recursos aconselhas?

L

www.uxbooth.com

www.justinmind.com

www.uxdesign.cc

www.uxpin.com

Acima de tudo sejam curiosos e quando utilizam aplicações digitais comecem a reparar no que varia e no que é igual entre elas, que padrões se repetem, se seria assim que desenhariam certa interação… A vantagem de desenhar para algo que quase toda a gente tem no bolso é que estamos sempre a fazer pesquisa e a aprender.

E.

Serás tutor do programa User Experience & User Interface Design na EDIT. Lisboa. Que expectativas tens para esta experiência de lecionar?

L

Espero que os alunos sejam curiosos e que não se sintam intimidados com o curso, User Experience Design é sobre observar, empatizar e compreender as expectativas e frustrações de outras pessoas… Espero lembrar-me disto no decorrer do curso!

E.

Em jeito de conclusão conselhos podes dar aos nossos alunos que pretendem entrar no mercado do Design Digital, e do UX? Que características consideras que devem ter, enquanto profissionais?

L

Como referi acima, User Experience Design é sobre compreender as expectativas e frustrações de outras pessoas. Como praticantes é essencial saber trabalhar com outros profissionais que não vão ter a mesma linguagem, nem as mesmas preocupações, e muitas vezes eles próprios não sabem muito bem trabalhar com outros… Desenvolver boas técnicas de comunicação e mediação é essencial, um profissional experiente conseguirá que metade do seu trabalho seja feito pelos colegas: project managers, programadores, estrategas… Só não lhes digam isso 😉

Por final aprendam um pouco des ‘developer’, se souberem a diferença entre DEV e UAT build, como se cria uma sub-tarefa no JIRA ou saber ler o que resulta de um PULL Request vão ter uma vida muito mais tranquila como profissionais.