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Bruno Amorim
Tutor

entrevista

Bruno Amorim
Tutor

Bruno Amorim é Digital Director na Bürocratik, já desenvolveu projetos para diversas marcas como a Unilever e a Universidade de Coimbra. Em 2014 foi eleito o 5º melhor designer português na categoria de Media Digital pelo Clube de Criativos de Portugal.

E.

Fala-nos um pouco do percurso profissional e da tua rotina diária.

B

Comecei por trabalhar em casa como freelancer de web design para diversas empresas, entre elas a 7Graus, onde desenvolvia páginas internas para o Olhares.com. No entanto, rapidamente percebi que misturar o espaço de trabalho com o espaço de lazer, acaba por condicionar a nossa vida a vários níveis, tornando-se difícil desligar o interruptor do trabalho, já que as preocupações continuam ali.

Em 2008, juntamente com o Luís Carvalho, fundamos a Blak, um estúdio de design multimédia em Viana do Castelo, onde tínhamos como objetivo trazer uma experiência interativa aos websites, quer no frontoffice como no backoffice. Desenvolvemos in-house o Blakoffice, um backoffice que pretendia simplificar o processo de atualização de conteúdos, seguindo a regra de que a nossa avó teria de ser capaz de atualizar um site sem dificuldades, numa altura em que ainda não existia o Medium ou Squarespace, e o WordPress, Joomla ou Magento tinham uma usabilidade reduzida.

Em 2011 fui convidado para ingressar a equipa da Bürocratik que, desde então, ocupa a maior parte da minha rotina diária. Nessa rotina, procuro sempre ver as novidades do Awwwards ou Dribbble e das agências que acompanho. No meu processo de trabalho diário gosto muito de me deixar levar pela ideia e pela “pica” inicial que o projeto me dá e partir imediatamente para a execução. Procuro trabalhar sempre em articulação com a equipa de programadores porque o trabalho de design não acaba quando fazemos o último save do psd. Só um bom acompanhamento de development lhe imprime a alma necessária para causar uma experiência memorável no utilizador.

E.

Quais foram as tuas maiores inspirações que te levaram a escolher esta profissão?

B

Quando estava a tirar o curso de Multimédia, tinha múltiplas saídas profissionais. Podia optar por vídeo, fotografia, som ou web e foi no 2º ano que comecei a perceber que o que me fazia acelerar o ritmo cardíaco era a Web. Na altura, o Macromedia Flash estava em força e os estúdios que estavam a marcar o ritmo eram a 2Advanced e group94. Como nesta área aprendemos imenso a seguir e a observar quem faz bem, foram eles, em parte, os culpados por esta paixão.

Atualmente verifico que nesse curso acabei por não fazer apenas uma única escolha pois a web de hoje em dia exige os restantes vetores de Multimédia: vídeo, fotografia, imagem e som.

E.

E hoje em dia? Quais são as tuas maiores fontes de inspiração?

B

Admiro muito o espírito irrequieto do designer alemão Tobias van Schneider. Atualmente é designer na Spotify e já trabalhou para empresas como a Red Bull, BMW ou Wacom. Para além do enorme portfólio, o que mais me fascina nele é a capacidade de demonstrar que existe sempre espaço para melhorar. Em momentos com os amigos, acabou por criar diversos projetos que tiveram enorme sucesso, que são o que ele chama de “Side Projects”. Entre muitos, temos o Semplice, um sistema baseado em WordPress para criar portfólios para designers ou o The Authentic Weather, uma app de meteorologia com um humor bastante peculiar. Julgo que são bons exemplos de que, às vezes, as ideias mais simples são as mais eficazes e tal como os princípios da Apple, a questão muitas vezes não está em inventar a roda, mas antes em repensar os produtos para algo mais humano e menos robótico.

Existe ainda uma dúzia de agências digitais que estão a marcar o ritmo num nível altíssimo, das quais destaco a Hello Monday e a Fantasy Interactive, porque na minha opinião são sempre boas fontes de inspiração.

E.

Quais são os principais desafios do processo criativo?

B

O processo criativo depende muito do conceito que se encontra para cada projeto, julgo que este é o maior desafio. A partir do momento em que se consegue chegar a algo muito bem fundamentado, tudo o resto é desenvolvido de forma natural, tendo sempre a ambição de esticar a corda até ao máximo.

E.

Como lidas com o bloqueio criativo?

B

Coloco de lado o projeto em questão, despacho aquelas tasks pendentes que se arrastam há uns dias, durmo uma boa noite de sono e procuro estar fresco para o dia seguinte.

E.

Se fosses outro designer, qual serias?

B

Tobias van Schneider, nota-se que sou fã?

E.

Como encaras o facto de teres sido eleito um dos melhores designers portugueses na categoria de Media Digital em 2013 e 2014?

B

É ótimo sermos reconhecidos pelo nosso trabalho dentro da comunidade, mostra-nos que o caminho que estamos a seguir é o correto, contudo acrescenta-nos maior responsabilidade.

E.

De que forma esta e outras distinções enriquecem o teu trabalho?

B

O melhor prémio que podemos ter é o reconhecimento de que a estratégia que desenvolvemos para o cliente é acertada e que está a dar frutos. De alguma forma, estas distinções vêm comprovar isso e enriquecem o projeto, dando mais alento para o próximo!

E.

Pela tua experiência, como vês a área do design digital em Portugal?

B

Estamos em constante evolução digital, as coisas estão a acontecer muito rápido e Portugal está a contribuir cada vez mais para o desenvolvimento de produtos digitais na Europa. Temos tido várias empresas estrangeiras a criar sedes e equipas em Portugal para desenvolver os seus produtos e em reflexo disso, também temos assistido a um forte investimento em eventos na área, como é o caso do OFFF ou Web Summit.

E.

Dá-nos a tua opinião daquilo que achas que vai ser uma tendência neste setor.

B

Cada vez mais vai ser valorizada a experiência contínua entre diferentes dispositivos. Os produtos digitais devem ser pensados para a interligação entre diferentes plataformas, não só entre computadores e dispositivos móveis, mas também como é que eles podem interagir com as nossas casas ou carros através das apps que desenvolvemos para mobile e smartwatches.

E.

Refere um ou dois trabalhos que te deram especial gosto realizar.

B

FiberSensing.com é um dos projetos em que mais me orgulho de ter colaborado. Além da visibilidade que alcançou, considero que é um dos projetos mais coesos entre website/identidade e necessidade real do cliente. Tivemos a oportunidade de repensar a estratégia de comunicação da empresa e o cliente colaborou nesse sentido. Foi uma longa luta no que respeita à criação de conteúdos e execução do design, mas no fim fica o tal gosto especial!

Outro projeto especial é o OutdatedBrowser.com, uma ferramenta que deteta browsers antigos e avisa os utilizadores para fazerem download de uma nova versão do seu browser. Este era um projeto que já estava na gaveta há muito tempo na Büro e que, de alguma forma, sentíamos que devia ganhar vida para que pudéssemos contribuir com esta ideia para a comunidade. A comunidade recebeu-o de braços abertos e hoje em dia ajuda mais de 230.000 utilizadores por mês a atualizar os seus browsers.

E.

Podes destacar dois websites que tenhas como referência?

B

O Awwwards é, sem dúvida, o site da atualidade que mostra o que de melhor se anda a fazer por aí a nível de web design. Premeia um site por dia, avaliando a perfeita sintonia entre design, ux, criatividade e conteúdos.

O Pttrns também é uma boa referência no que respeita a Mobile Apps, já que reúne os melhores exemplos dos diversos componentes que uma App pode ter: logins, searches, lists, etc…

E.

Tens alguma meta a cumprir nos próximos tempos?

B

Sim, existe um projeto em “banho maria” que já anda há muito tempo para ser desenvolvido, mas que, por falta de tempo, ainda não aconteceu. Anseio pelo momento de conseguir dedicar-lhe alguma atenção e cumprir o sonho de criar um produto que ganhe vida e caminhe autonomamente.

E.

Indica dois livros de referência para quem quer aprender mais um pouco desta área.

B

Sou grande fã dos 3 livros que Paul Arden, ex-diretor criativo da Saatchi and Saatchi, escreveu, nomeadamente o “It’s Not How Good You Are, It’s How Good You Want to Be”. Mostra-nos que não devemos ter medo de errar porque na próxima tentativa vamos errar melhor. Também refere que não devemos estar sempre à espera da próxima oportunidade porque o cenário ideal nunca se vai proporcionar, devemos sim agarrar a oportunidade que temos em mãos para fazer algo memorável.

E.

O que gostas de fazer nos teus tempos livres?

B

Como já referi antes, considero que a melhor forma de aprender é a observarmos quem faz bem e, como tal, nos tempos livres tento olhar para produtos que rompem com o standard e trazem-nos uma lufada de ar fresco. Mais recentemente, a nova Apple TV trouxe-nos uma nova forma de utilizar a TV com um comando na mão, através de voz ou gestos. O brilhante deste produto é a capacidade de questionar a usabilidade dos comandos de TV habituais que fazem cada vez menos sentido, devido aos novos conteúdos interativos das Smart TV’s.

Também procuro dedicar algum tempo a fotografia e vídeo, é onde tento fazer o “gostinho ao dedo” e à edição de vídeo/imagem, para além de me permitir explorar novas tendências a aplicar em projetos futuros.

Para além de tudo isto, não dispenso a companhia dos amigos e da família, bem como um jogo de FIFA de vez em quando para descontrair.

E.

Podes deixar um conselho para os nossos alunos que pretendem entrar no mercado?

B

É importante cada designer desenvolver o seu portfólio e colocá-lo online no Behance, Dribbble ou site pessoal. Só assim é que as agências ou estúdios que estão a contratar conseguem aferir se o designer corresponde às expectativas que procuram.

Também é importante não desistir ou ficarmos parados à espera que a sorte venha ter connosco, porque isso é difícil de acontecer.

Questionar é fundamental, obriga-nos a ter um espírito crítico sobre as coisas o que, inevitavelmente, nos leva a melhorar a cada dia que passa.

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