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on the grid
Nélson Vassalo & Ana Bárbara

entrevista

Entrevista EDIT.
Embaixadores On The Grid - Lisboa & Porto

11 Outubro 16

Nélson Vassalo & Ana Bárbara

Nélson Vassalo e Ana Bárbara foram os primeiros representantes de cidades Portuguesas na plataforma on the grid, onde dão a conhecer de forma criativa as cidades de Lisboa e Porto, respetivamente.

Ajudem a construir uma identidade para a comunidade criativa na vossa cidade. Merecemos alargar o nosso público.

E.

Em que consiste a plataforma “onthegrid”?

A

Onthegrid, é um projeto de colaboração de empresas criativas criadas pela hyperakt, Nova Iorque. Permite a cada designer de diferentes partes do mundo partilhar o local onde vive e a forma como o vê, tornando a experiência do turista mais personalizada. Cabe a cada designer curar um bairro, ou seja, um espaço na grelha, no qual pode explorar a criatividade da sua cidade.

E.

Qual o papel de um embaixador?

N

O embaixador faz sobretudo a mediação entre os ateliers e criativos locais e a Hyperakt, o atelier de design autor do projecto. É nossa responsabilidade conseguir mapear o espaço da cidade de uma forma que faça sentido, do ponto de vista de separação das áreas, mas também saber identificar quem trabalha nas mesmas e de que maneira o trabalho dessas pessoas pode ser mais aproveitado para explorar a identidade de cada bairro. Fazemos ainda uma pré-avaliação dos conteúdos e podemos sugerir determinados espaços ou facilitar alguns contactos, graças a alguns materiais promocionais cedidos pela própria Hyperakt.

E.

Cada vez mais existem plataformas online dedicadas ao turismo. Em que é que se distingue o onthegrid.city?

A

Pelo facto de ser uma plataforma feita por designers que indicam sobre outro ponto de vista os pontos turísticos, procurando deixar o lugar comum. Também, no website, se sente que a atmosfera visual e a navegação é interativa e fácil, com textos e imagens que procuram mostrar mais do que um ponto turístico, mas a essência de um local.

E.

Qual prevês que seja o futuro deste projeto a longo prazo? Qual o seu potencial?

N

Penso que o potencial está de certa forma já atingido, mas aquilo que procurava quando pensei na inclusão de Lisboa, era dar cara à cidade além da dos postais turísticos de que somos vítimas hoje em dia (para o bem e para o mal; confesso que é difícil a Lisboa fugir ao paradigma do postal, mas isso só se deve à sua topografia tão peculiar). Preocupei-me muito também em aproveitar o nome da cidade para finalmente dar cara, ou um campo de actuação, à nossa industria criativa. Gostaria de ver a cidade a ser mais identificada com o design, a arquitectura ou a cultura underground do que aquilo que ainda é, porta fora. Sou muito cético em fazer das cidades marcas, mas não posso deixar de reparar como a comunidade criativa de Barcelona aproveita esse carimbo para se promover. Penso que temos o mesmo potencial e precisamos de por a cidade noutro mapa que não somente o do turismo (o que não quer dizer que não devamos aproveitar a boleia do momento alto desse sector, de uma maneira produtiva e sustentável).

E.

Depois de teres conhecido algumas outras cidades apresentadas no onthegrid, quais aquelas que te motivaram mais a visitar?

A

Os designers envolvidos no projeto estão de parabéns, realmente atingiram o objetivo de tornar a sua cidade apelativa.

Temos de ter em conta que, provavelmente, quem visita a plataforma já terá ideia do local que pretende conhecer, mas, de qualquer maneira, pela sua jornada poderá descobrir outra cidade que o interesse, esperemos que descubram o Porto.

Tóquio, no Japão, seria a minha escolha de eleição, talvez influenciada pelo gosto pessoal para destinos orientais. Realmente, Tóquio é uma cidade que me motiva visitar, até porque, estou a aprender a língua Japonesa e interesso-me pela história e atmosfera que se vive, respira design e inspiração. Mas também, claro, visitaria outras cidades, como por exemplo, Londres, Seattle, Toronto, Dubai, Chicago, Barcelona, Nova Iorque, Milão, Hong Kong…

O designer vive do que experiencia e vê, por isso, nada como viajar para aprender, e fazê-lo, através do olhar de outros designers, tem um gosto ainda mais especial.

E.

Que cidades portuguesas achas que seriam um bom acrescento à plataforma?

N

Acabei de ver a inclusão de Aveiro, mais que merecida. É difícil para mim escolher, sou um sucker por Portugal e não desgosto de quase nenhum sítio, mas sabendo que não conheço tudo ainda, teria que dar destaque às que conheço e que já vão tarde para aparecer no guia. Leiria, Coimbra, o Porto!, que ainda só tem uma zona, Évora… Achava curioso ver o que acontece em Abrantes, com aquilo que tenho visto a nível de conferências e do trabalho do Instituto Politécnico. Viseu e Viana do Castelo, com as cenas académicas regionais muito relevantes pelo mesmo motivo.

E.

Qual o conselho que gostarias de dar aos criativos portugueses, para que possam usufruir das vantagens desta plataforma para o turismo?

A

Que procurem conhecer sobre o olhar de um designer uma cidade, enriquecendo-se culturalmente. A beleza de uma cidade está em descobrir as suas camadas e apreciar todo que esta nos revele.

Uma cidade é as pessoas que lá vivem, são elas que fazem brilhar a sua personalidade.

E.

Sempre quiseste ser designer? O que te levou a ingressar nesta área?

N

 

Não necessariamente designer, pelo menos não desde logo. Tinha interesse no desenho desde muito novo mesmo, e falava para aí desde os 6 anos em ser “desenhador”; não sabia sequer se existia uma profissão assim, só para desenhar. Fazia BD’s e imaginava-me a fazer desenhos animados para aí até aos 12. Era o maior bootlegger de Dragon Ball e X-Men… Nessa altura comecei a desenhar letras e logotipos, na adolescência os grafitti foleiros e as tags. Depois tive um computador, consegui desenrascar fazer uns sites de gosto duvidoso. No secundário ainda nem sabia o que fazer, mas pelo menos estava em artes. Por exclusão de partes e ingenuidade cheguei ao design de comunicação à última da hora para concorrer às universidades sem perceber que estava a ter a sorte e a pontaria de conjugar estes interesses todos e a tal profissão de “desenhador” com que fantasiava em miúdo.

E.

Como surgiu o gosto pelo design?

A

Desde sempre tive uma tendência por tudo o que tenha um lado artístico, e, interesse autodidata. Sempre gostei de observar os detalhes, descobrir os porquês de como algo é feito, qual a sua essência, o porquê de os nossos olhos serem a porta do consumo.

A história da arte e do design, a mecânica da fotografia, do desenho, da tipografia, a produção gráfica, o produto….é cativante, a forma como o design influência o Homem e o contacto que este tem com o que o rodeia. Quer seja estético, funcional ou conceptual, o design faz parte do quotidiano, ás vezes, sem que os nossos olhos se apercebam da sua influência.

E.

Tens alguma meta a cumprir nos próximos tempos?

N

Bem, levar o mestrado o mais avante possível. Continuar a aprender novas técnicas, desafiar a minha própria linguagem e skills de produção. Conseguir conjugar a vida aqui com a de Lisboa o máximo possível, sem dúvida. Não quero abandonar casa de maneira nenhuma e estou a tentar passar o máximo possível dos intervalos académicos por aí. Relançar o meu site (finalmente, depois de 5 anos) ainda este inverno e começar a publicar mais textos.

E.

Tens algum objetivo a cumprir a curto prazo?

A

Futuramente, o meu objetivo será conseguir estagiar, trabalhar ou realizar o meu mestrado, no Japão ou na Coreia do sul. Em termos de design sempre considerei um poço cultural, tenho por isso interesse em colaborar com empresas com contactos com o Japão e Coreia do sul, mas, também, Países de língua Inglesa, Portuguesa e Espanhola.

Estou disposta a aceitar desafios que me façam crescer a nível profissional.

Sempre me fascinou as diferenças e as semelhanças culturais, as pessoas, as suas histórias e os locais que frequentam, afinal é para isso que existe o design, para o Homem.

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